A cada 5 minutos, 3 brasileiros morrem em hospitais por falhas

Antônio Cunha/Esp. CB/D.A Press Dos 19,1 milhões de brasileiros internados em hospitais ao longo de 2016, 1,4 milhão foram vítimas de ao menos um evento adverso

Dados do Primeiro Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar no Brasil indicam que os eventos adversos em hospitais, em decorrência de erros de dosagem ou aplicação de medicamentos, uso incorreto de equipamentos e infecção hospitalar são a segunda causa de morte mais comum no Brasil, perdendo apenas para as doenças cardiovasculares. O número chegou a 302.610 mil mortes em 2016.

Por dia, 829 brasileiros morrem em decorrência de condições adquiridas nos hospitais, o que equivale a três mortos a cada cinco minutos. O estudo é do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), produzido pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Nos Estados Unidos, o número de mortes é 32% maior, mas para uma população 57% superior à nossa.

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Além do óbito, os eventos adversos também deixam sequelas na vida do paciente. Dos 19,1 milhões de brasileiros internados em hospitais ao longo de 2016, 1,4 milhão foram vítimas de ao menos um evento adverso, diz o estudo. Luzia Bernardes Barbosa, 50 anos, foi diagnosticada em 2012 com neuralgia do trigêmeo, uma doença que provoca dor facial intensa. O tratamento indicado, segundo o médico neurologista que a atendeu, seria a cirurgia. Na época, ela era cabeleireira.

O que era para ser motivo de alívio a deixou cega do olho direito. Barbosa conta que procurou um hospital particular do Distrito Federal, onde o mesmo médico que a acompanhou na rede pública faria o procedimento. Após a cirurgia, veio o baque. “Ele disse que era efeito da anestesia e que iria melhorar ao longo da semana, só que as dores pioraram e a visão do olho nunca mais voltou. Ele me falou que faria um determinado procedimento, mas na hora mudou e enfiou uma agulha no meu rosto até a base do crânio. Outros médicos disseram que meu diagnóstico estava errado e que nem precisaria ter me submetido à cirurgia”, afirmou. Ela até hoje sente dores e vive à base de remédios de alto custo.
O advogado especialista em direito da saúde Samuel Marçal de Souza Júnior explica que os pacientes devem procurar se orientar sobre seus direitos. Ele explica também que os eventos adversos não significam necessariamente um erro ou negligência, mas incidentes que poderiam ter sido evitados.
“São falhas que acontecem quando o enfermeiro deixa alguém cair, por exempo. Ou pelo mau manuseio de um equipamento que pode causar infecção na traqueostomia ou no entubamento. Isso acontece pela falta de controle e de um sistema adequado de vigilância, também pela falta de verba para ter o mínimo de higiene e pessoal habilitado”, explicou.
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