A cada três dias um policial militar foi morto no Rio este ano

Emoção no enterro do sargento Robert de Almeida, no Rio de Janeiro. Ele foi o 48º policial executado este ano (foto: Fernando Frazão/Agencia Brasil )Emoção no enterro do sargento Robert de Almeida, no Rio de Janeiro. Ele foi o 48º policial executado este ano (foto: Fernando Frazão/Agencia Brasil )

A cada três dias um policial militar foi morto no Rio este ano. Ontem, o sargento Robert Nogueira de Almeida, 42 anos, entrou para a estatística. Com ele, chega a 48 o número de PMs executados em 2018, ou seja, 35% do total registrado em 2017, de 134 policiais mortos.

Nos últimos 20 anos, 2.756 PMs foram abatidos no Rio de Janeiro, segundo dados da Polícia Militar e do Instituto de Segurança Pública (ISP). Isso equivale a 3% do total do efetivo de 90 mil homens. O ano com maior baixa foi 2003: 177. Assaltos, execuções e confronto com bandidos são as principais causas de morte, segundo as autoridades públicas.

O sargento Almeida estava em uma motocicleta a caminho do trabalho, na Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), quando criminosos em outra moto anunciaram um assalto. Ao perceberam que ele era um PM, abriram fogo. Ele estava na Polícia Militar desde 1996. O sargento era casado e deixa dois filhos.

A corporação divulgou nota lamentando a morte. “O 9º Batalhão de Polícia Militar foi acionado para verificar ocorrência e a perícia foi acionada”, detalha o texto. O Gabinete de Intervenção Federal não comentou o assunto. Na semana passada, informou que está tomando medidas para baixar os índices de violência. “(Reforçamos) a infraestrutura da segurança pública, com apoio das Forças Armadas e da iniciativa privada, lembramos a entrega de seis blindados, doação de 100 fuzis, 100 mil munições e cerca de R$ 2,4 milhões em equipamentos”, destacou o órgão, em nota.

O coronel da reserva Carlos Fernando Ferreira Belo, presidente da Associação de Oficiais Militares Estaduais do Rio de Janeiro (AME-RJ), analisou as estatísticas a pedido do Correio. “São dados lamentáveis, uma situação muito triste. Precisamos valorizar a vida de quem protege vidas. Não vejo uma movimentação mínima para que esses números sejam reduzidos”, criticou.

Para ele, toda a sociedade é penalizada quando um PM é morto. “O crime toma conta das ruas e essa indiferença aumenta o risco para todos. Nem em uma guerra se chega a uma cifra de mortes tão grande. Medidas precisam ser tomadas com urgência. Alguma coisa deve ser feita”, ponderou.

“Encurralados”

Júnia de Vilhena, especialista em violência Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), é categórica: “os PMs estão encurralados”. “Os policiais são desvalorizados pela sociedade. Eles são mal pagos, mal treinados e mal equipados. O que está acontecendo é um massacre”, destacou. Ela também analisou as estatísticas sobre mortes de PMs. “Parece que essa situação virou uma política de Estado”, conclui.

Para o sociólogo e cientista político Antônio Carlos Mazzeo, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a concepção de ação policial influencia e o PM é morto por uma soma de fatores. “Está conectada à ideia de uma polícia que não é da sociedade, com um tipo de tropa contra a sociedade e não parte dela. A trajetória da polícia está separada da sociedade. A ação dela é o confronto permanente”, explica.

Antônio ressalta ainda as atividades fora da corporação. “Muitos fazem bico de segurança na farmácia ou no supermercado. Isso os expõe a riscos. Mas, não é só isso. Há um conjunto de problemas e são questões complexas e articuladas. Precisamos transformar a polícia em uma entidade mais conectada com a sociedade. Isso é mais eficaz para a segurança da corporação e para a segurança da população”, avalia.

Crianças baleadas

Segundo o laboratório de dados Fogo Cruzado, este ano 15 crianças foram baleadas no Rio de Janeiro. O caso mais recente foi o de um bebê de seis meses atingido no pátio de uma escola no Cosme Velho, na Zona Sul. A criança foi atingida por uma bala perdida na última terça-feira. O menino foi atingido no ombro esquerdo e passou por uma cirurgia. Antes, uma menina de 11 anos foi baleada dentro da escola em Cavalcante, na Zona Norte do Rio. A bala perfurou o braço direito.

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