Angola elege sucessor do presidente Santos após 38 anos no poder

 MARCO LONGARI

Os angolanos foram às urnas nesta quarta-feira (23/8) para eleger o sucessor do presidente José Eduardo dos Santos, que deixará o cargo após um autoritário governo de 38 anos em um país abalado por uma grave crise econômica.

Segundo a Constituição, quem encabeça a lista do partido vencedor é o novo chefe de Estado.

No poder desde a independência de Portugal, obtida em 1975, o Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA) é favorito para ganhar mais uma vez e obter a Presidência para o candidato e herdeiro político de Santos, o ex-ministro da Defesa João Lourenço.

Santos, de 74, que está doente, designou Lourenço explicitamente como seu sucessor, durante uma reunião com seus correligionários em Luanda, no último sábado (19/8). Lourenço, de 64, um burocrata pouco carismático do MPLA, que prometeu seguir os passos do padrinho político.

“Como diz o nosso lema, vou melhorar o que está bom e corrigir o que está ruim”, declarou à imprensa.

Saúde

A saúde de Santos parece ter precipitado o momento de sua aposentadoria, inicialmente planejada para 2018. Nos últimos meses, suas viagens “privadas” para a Espanha alimentaram os boatos, o que obrigou sua família a desmentir publicamente sua morte.

A análise é confirmada por Alex Vines, do “think tank” Chatham House.

“A decisão também reflete a certeza para a direção do MPLA de que uma nova candidatura do presidente teria provocado a redução de sua maioria”, afirma.

José Eduardo dos Santos se orgulha de ter devolvido a paz ao país depois de uma guerra civil (1975-2002), mas deixa o poder em um país em crise.

Apesar da receita do petróleo que ajudou os cofres públicos durante 15 anos, Angola continua sendo um dos países mais pobres do planeta. E a queda dos preços do combustível desde 2014 deixou a nação à beira da asfixia financeira, com uma disparada do desemprego.

Os adversários do MPLA tentam usar a economia como principal argumento de campanha.

Se João Lourenço confirmar a vitória em 23 de agosto, sua tarefa será delicada.

Sua tarefa se anuncia delicada no principal país produtor de petróleo da África Subsaariana, junto com a Nigéria, que atravessa um difícil momento econômico.

E muitos duvidam de sua capacidade para superar o sistema adotado por Santos.

Para bloquear o controle do país, o chefe de Estado acaba de aprovar leis que o protegem da maioria dos processos judiciais e impedem por vários anos qualquer mudança no comando das Forças Armadas e da polícia.

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