Ao lado de procuradora afastada, Janot diz que Venezuela vive ‘ditadura’

Ana Rayssa/Esp.CB/D.A Press

O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, fez fortes críticas ao governo de Nicolás Maduro, nesta quarta-feira (23/8), durante encontro entre Ministérios Públicos dos países do Mercosul, que ocorre  em Brasília. No seu discurso, ele declarou que houve um “estupro institucional” da Procuradoria-Geral da Venezuela pelas forças do presidente. 
Segundo ele, o órgão venezuelano não tem mais condições de defender os direitos fundamentais das vítimas e acusados no país. “Sem independência, o MP do nosso vizinho ao norte não tem mais condições de defender os direitos fundamentais das vítimas e acusados nem de conduzir com objetividade criminais ou de atuar em juízo com isenção”, disse.
Janot se referiu ao governo venezuelano como ditadura. Ele declarou que a Assembleia Constituinte formada no país vizinho é ilegítima e que foi escolhida num processo eleitoral “recheado” de suspeitas de fraudes.

Fuga 

A ex-procuradora-geral da Venezuela Luisa Ortega Diaz, que está em Brasília nesta quarta-feira, fugiu para a Colômbia com o marido depois de ser afastada do cargo. Ela havia acusado a Assembleia de ter cometido “atos ilegais”.
Ortega investigava um esquema de corrupção envolvendo Maduro, membros da Assembleia Constituinte venezuelana e a construtora Odebrecht. O presidente venezuelano pediu à Interpol a prisão da ex-procuradora. Ela foi afastada em 5 de agosto e fugiu para a Colômbia com o marido na última sexta (18).

Odebrecht 

Na capital brasileira, Luisa Ortega denunciou aos procuradores presentes “a morte do Direito” sob o governo de Nicolás Maduro e advertiu que a crise política coloca em perigo o equilíbrio de toda região. Ela declarou, ainda, que tem “muitas provas” contra o presidente Nicolás Maduro de ter participado um esquema de corrupção envolvendo a construtora Odebrecht, além de evidências que comprometem diversos altos funcionários.
Ortega disse que seguirá percorrendo o mundo para denunciar o que ocorre no país. Ela destacou, porém, que o governo venezuelano está empenhado em destruir provas que possam incriminar o gestor e membros da Assembleia Constituinte, formada por partidários do governo.
“Não há garantia de justiça na Venezuela. Não há garantia de que o crime organizado tenha uma condenação”, disse. “A corrupção traz consigo outro problema, que é o agravamento da crise. Os venezuelanos não têm acesso a saúde, alimentos e, principalmente, segurança. A Venezuela necessita de ajuda humanitária”, declarou.
A 22ª Reunião Especializada de Ministérios Público do Mercosul (REMPM) é um encontro entre os representantes das Procuradorias dos Brics, que é formado pela Rússia, Índia, China e África do Sul, e do Mercosul, que participam Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname.
“Essa reunião serve para dar um ânimo para o povo venezuelano a não perder a esperança e seguir lutando. Vamos sair vitoriosos, assim como a democracia, justicia, decência e tolerância. Não queremos autoridades questionadas por corrupção. Vamos manter a esperança”, completou Luisa Ortega o discurso.  
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