Atropelamento de militares reabre debate sobre de segurança antiterrorista

 Thierry Chappé /AFP -

Paris, França

– Os investigadores franceses tentavam estabelecer nesta quinta-feira (10/9) o perfil do homem suspeito de atropelar seis militares em um subúrbio de Paris. Este ataque reabriu o debate sobre a Operação “Sentinelle” e sobre os riscos para os soldados envolvidos na luta antiterrorista.

De acordo com uma fonte policial, o argelino Hamou B., de 36 anos, ainda não pode prestar depoimento por conta de seu estado de saúde. Ele foi atingido por cinco tiros na perseguição que levou à sua detenção, em uma rodovia em direção a Calais, na quarta-feira (9/9), horas depois do ataque. Seu único antecedente era uma infração da legislação para estrangeiros, disse a mesma fonte, acrescentando que até agora sua situação é legal. A Polícia quer “aproveitar os elementos” descobertos na inspeção feita na quarta-feira em sua residência em Bezons, nos arredores de Paris, e em “outros pontos”.
Motorista de veículos de transporte, Hamou B. levava uma vida discreta e morava em um prédio de um bairro residencial, segundo depoimentos de vizinhos ouvidos pela AFP. A Procuradoria antiterrorista assumiu a investigação, aberta por “tentativa de assassinato […] relacionada a uma organização terrorista”.

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Este sexto ataque contra soldados reabriu o debate sobre a Operação “Sentinelle”, que mobiliza 7 mil soldados permanentes na França desde os atentados extremistas de 2015. Os últimos ataques na França apontaram, principalmente, contra as forças de segurança em locais emblemáticos.

Para os especialistas, estes militares se tornaram “alvos”. Em 14 de julho, o presidente Emmanuel Macron anunciou que o dispositivo seria revisto “em profundidade”. “Não é a operação mais oportuna, pois a maioria das intervenções é pensada para que proteja eles mesmos [os militares]”, declarou a deputada de esquerda radical Clémentine Autain à emissora Franceinfo.
“Diante de tudo, devem anular a redução do orçamento do Exército”, reivindicou, por sua vez, o vice-presidente do partido de ultradireita Frente Nacional, Florian Philippot, em alusão ao corte de 850 milhões de euros para a Defesa em 2017. Em entrevista à emissora Europe 1, o eurodeputado defendeu a ideia de uma “missão da polícia e da Gendarmeria”, que poderia substituir a “Sentinelle”.
A comissão parlamentar de investigação dos atentados em novembro de 2015 já se questionava sobre a eficácia do dispositivo em suas conclusões, apresentadas em julho de 2016. Nesse sentido, propôs-se “revisar para baixo o volume do efetivo usado”, com o objetivo de concentrá-los “na proteção única de determinados pontos estratégicos”.
O chefe do Estado-Maior do Exército, general Jean-Pierre Bosser, também se mostrou favorável a uma missão com “3.000 homens divididos em pontos-chave”, outros “3.000 de reserva” e “mais 3.000” dedicados à antecipação, ou seja, à preparação de cenários de crise.
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