Bombeiros preparam mutirão de vistorias em escolas e creches de Janaúba

Luiz Ribeiro/EM/D.A PRESS Vários cartazes foram colocados no muro da creche Gente Inocente, local do massacre de Janaúba. Unidade não tinha dispositivos de prevenção a incêndios
A tragédia no Centro Infantil Gente Inocente motivou uma ação preventiva em todas as escolas e creches de Janaúba. Ontem, integrantes do Corpo de Bombeiros no Norte de Minas se reuniram com representantes do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que solicitaram o serviço aos militares. O plano de ação já começou a ser desenvolvido pelos militares e deve começar a ser executado a partir de hoje, quando está prevista a chegada da solicitação do MP. A estimativa, segundo a corporação, é de que os trabalhos durem cerca de 15 dias.

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Os bombeiros esclareceram, no entanto, que a vistoria não é uma medida simples de ser executada. “Uma vistoria dura mais de uma hora, dependendo da edificação. Teremos de manter uma força-tarefa, enviando equipes do nosso batalhão, em Montes Claros. Mostramos ao MP que a demanda exige planejamento. Estamos nesta fase. Em Janaúba, entre creches e escolas, há 28 unidades”, informou o tenente-coronel Waldeci Gouveia, comandante do 7º Batalhão de Bombeiros Militares, que fica em Montes Claros.

Segundo o militar, há em Janaúba apenas um pelotão dos bombeiros. “Vamos enviar equipes para lá. Tudo vai depender do número de equipes que serão enviadas e da complexidade de cada escola ou unidade infantil”, informou o tenente-coronel.
Entre as exigências a serem avaliadas está o projeto técnico simplificado, que trata de itens de segurança como extintores de incêndio, iluminação e sinalização de saídas de emergência, presença de brigadas de incêndio, entre outros. No caso da Creche Gente Inocente, a área construída é de 200 metros quadrados, sendo que a sala de aula onde as crianças foram atacadas ocupa um quarto deste total, ou seja, cerca de 50 metros quadrados. De acordo com o tenente-coronel, a estrutura do imóvel foi danificada por causa do fogo.

Depoimentos

Também ontem, testemunhas da tragédia começaram a ser ouvidas pela Polícia Civil. O inquérito foi aberto para apurar as circunstâncias do ataque do vigia Damião Soares dos Santos, de 50. Na lista de pessoas apontadas no documento para prestar depoimento estão funcionários da creche, vizinhos que presenciaram o fato e pessoas que ajudaram no salvamento e combate ao incêndio. No dia em que Damião ateou fogo a crianças da unidade infantil, a funcionários e ao próprio corpo, a polícia colheu, preliminarmente, o depoimento de aproximadamente 10 pessoas.
O prédio onde funciona a creche permanece fechado. O imóvel foi vistoriado por funcionários do setor da perícia técnica da Polícia Civil antes de ser interditado. Todos os materiais que resistiram ao fogo foram retirados da creche.
Os primeiros levantamentos da Polícia Civil para tentar desvendar o ataque mostram que o crime foi premeditado. Prova disso é que galões de combustível foram encontrados na casa do vigia. Ele também pode ter escolhido a data da última quinta-feira, 5, por ter sido o dia em que seu pai morreu, há três anos. Por isso, ele avisou aos familiares que ‘’daria um presente a todos, se matando em breve’’. Segundo a corporação, Damião apresentava problemas psicológicos desde 2014 e era obcecado por crianças.
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