Braço egípcio do EI é suspeito de massacre em mesquita

Stringer/AFP

O braço egípcio do grupo Estado Islâmico (EI), suspeito de ser responsável pelo massacre desta sexta-feira (24/11) em uma mesquita no Sinai, realizou diversos ataques violentos nessa península a leste do Egito, onde está em guerra pelo poder.
O atentado, que deixou 305 mortos, entre eles 27 crianças, não foi reivindicado até este sábado (25/11). 

Base no Sinai

Os extremistas estão no Sinai há anos. Mas os ataques esporádicos se tornaram uma verdadeira insurreição após a destituição, pelo exército, do presidente islamita Mohamed Mursi, em julho de 2013. 
O principal grupo extremista operando à época no Sinai, Ansar Beit al-Maqdess, tinha adotado uma propaganda que reflete sua lealdade à Al Qaeda. 
Após a proclamação pelo EI de um “califado” na Síria e no Iraque, o Ansar Beit al-Maqdess jurou fidelidade ao EI.
Não existem dados confiáveis sobre o número de combatentes que integram suas fileiras. O exército egípcio afirma ter matado centenas deles.

Guerra no deserto

Diferentemente da Síria e do Iraque, o EI não teve forças para controlar os centros urbanos no Sinai. Em julho de 2015, os extremistas tentaram tomar a vila de Sheikh Zouweid, mas precisaram recuar, diante do uso de caças F-16 pelo exército.
O grupo ataca com regularidade as forças de segurança, recorrendo aos mesmos procedimentos: bombas na margem de estradas, tiros de “snipers” e ataques aos “checkpoints”. 
Os combatentes se esconderam no deserto montanhoso no coração do Sinai, beneficiando-se de certa liberdade de movimentação entre os pontos de segurança do exército, longe das estradas principais. 
As células também realizam atentados na capital do norte do Sinai, Alarixe, e em outros pontos do Egito. 
Segundo as autoridades, os extremistas são bem armados. Eles têm mísseis anti-tanques, metralhadoras e explosivos contrabandeados da vizinha Líbia.
Mas o tamanho do ataque de sexta-feira a um local de culto muçulmano chocou até partidários do EI que, nas redes sociais, afirmaram que os extremistas não poderiam ser os responsáveis. 
Citando depoimentos, o procurador-geral indicou que os autores – com idades entre 25 e 30 anos – carregaram a bandeira preta da organização extremista durante o ataque. 
Nos últimos anos, o EI se voltou também para alvos civis, atacando não apenas cristãos e sufis, mas também os beduínos moradores do Sinai, acusados de colaborar com o exército. 

Liderança desconhecida

Há poucas informações disponíveis sobre os líderes do grupo, e os serviços de segurança evitam divulgar sua identidade, a não ser após terem sido mortos. 
Dirigentes e combatentes seriam, em sua maioria, beduínos e egípcios. Diversos palestinos da Faixa de Gaza também foram mortos lutando nas fileiras do Ansar Beit al-Maqdess, segundo o grupo
Em 2016, o exército anunciou ter matado o comandante do grupo no Sinai, Abou Douaa al-Ansari, em ataques aéreos. Ele se chamava, antes, Mohamed Freij, irmão de Tawfiq Freij, fundador do grupo.
O EI confirmou sua morte, garantindo tê-lo substituído por outro comandante, Abou Hajar al-Hashemi.
Um extremista capturado indicou que a identidade do líder do grupo do Sinai era desconhecida e que as instruções eram transmitidas com o intermédio de um subordinado. 
Abaixo do alto comando, as responsabilidades são divididas entre diretores das seções de “segurança”, “assuntos militares”, fabricação de bombas e propaganda.
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