Brasil encerra na quinta-feira a atividade militar no Haiti, após 13 anos

Marco Dormino/ONU Nos últimos 13 anos, 37.500 militares atuaram na região
Depois de 13 anos, as tropas brasileiras se despedem oficialmente da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah, na sigla em francês) nesta quinta-feira (30/8). O encerramento das atividades será marcado por uma cerimônia às 19h de Porto Príncipe (20h em Brasília). Desde a decisão do Conselho de Segurança de extinguir a missão, o contingente tem se reduzido gradualmente até a retirada completa, prevista para 15 de outubro de 2017. 
Nos últimos 13 anos, 37.500 militares atuaram na região. A Minustah foi criada em 30 de abril de 2004 pela Resolução 1542 do Conselho de Segurança da ONU para colocar fim à violência e à instabilidade política no Haiti. A ação foi implementada efetivamente em 1º de junho do mesmo ano. O objetivo era suceder de maneira mais estruturada a Força Multinacional Interina, estabelecida dois meses antes (26/02/2004) pela Resolução 1529.
Marco Dormino/ONU Haiti sofre desde 2010 as consequências de crises políticas, agravadas com terremoto e cólera
A missão foi autorizada a mobilizar no Haiti até 6.700 militares, 1.622 policiais, 550 funcionários civis internacionais, 150 voluntários das Nações Unidas e cerca de 1 mil funcionários civis locais. Além do contingente brasileiro, integraram a Minustah 550 militares de Japão, Chile, Nepal, Jordânia, Uruguai, Paraguai, Coreia do Sul, Sri Lanka, Argentina, Bolívia, Guatemala, Peru, Filipinas e Equador. Canadá, Estados Unidos e França prestaram apoio estrutural.

Mortes e doenças

Em janeiro de 2010, um terremoto de magnitude 7.0 atingiu a ilha caribenha, com o epicentro localizado a 25 km da capital, Porto Príncipe. A morte de 220 mil pessoas, incluindo 102 funcionários da ONU, forçaram a permanência das tropas na região, diante do adiamento de esforços para a reconstrução do país. Milhares de pessoas ficaram feridas ou incapacitadas permanentemente enquanto 1,5 milhão de pessoas ficaram desalojadas. A catástrofe também levou a um clima de incerteza política, interrompendo um período de relativo progresso em direção a eleições legislativas, presidenciais e municipais, programadas para fevereiro daquele ano.

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As unidades militares e civis especializadas realizaram dezenas de operações de busca e salvamento, estabeleceram hospitais de campo e forneceram apoio imediato a esforços de assistência salva-vidas, restaurando a infraestrutura base do país. Depois da tragédia, veio o surto de cólera, que agravou ainda mais o quadro de miséria no Haiti.

Em novembro do mesmo ano, o furacão Thomas atingiu o Haiti e, mais uma vez, os militares prestaram assistência humanitária. As forças da paz ajudaram a Agência Haitiana de Proteção Civil e ONGs atuantes no país a retirar moradores de áreas rurais para abrigos mais seguros. Depois, as unidades de engenharia atuaram em meio aos deslizamentos de terra, reabriram estradas e ajudaram a desviar a água acumulada da chuva, enquanto outros contingentes forneceram alimentos, água potável e suprimentos para população.
A Minustah será substituída pela Missão das Nações Unidas para apoio à Justiça no Haiti (MINUJUSTH, na sigla em francês), que irá apoiar os esforços governamentais no fortalecimento das instituições, no desenvolvimento da Polícia Nacional e no monitoramento, relato e análise da situação dos direitos humanos. “O Haiti passará da estabilização para a construção institucional de longo prazo e desenvolvimento em estreita cooperação com a Equipe de País das Nações Unidas e outros parceiros internacionais”, afirmou a ONU em nota.
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