“Brasil precisa fazer dever de casa para exportar mais”, diz Castro

Marcelo Ferreira

 

Sem fazer o dever de casa, reduzindo os custos de produção, burocráticos e logísticos com reformas estruturais, o Brasil continuará figurando entre os menores países exportadores, apesar de ser uma das maiores potências globais. Essa é a avaliação de José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) durante sua apresentação no seminário Correio Debate: Pequenas e médias empresas, o caminho para a exportação, realizado nesta terça-feira (21/11) na sede do Correio.

 

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Castro lembrou que, em 1980, a participação do Brasil no comércio global era de 0,99%, percentual maior do que o da China, de 0,88%. Hoje, a China tem uma fatia de 13,8% do comércio global e o Brasil continuou estacionado em pouco mais de 1% porque o país teve uma estratégia equivocada, focada apenas nas exportações de commodities e nos parceiros de menor peso no comércio mundial, no eixo Sul-Sul. Nesse mesmo período, a participação de produtos manufaturados nas exportações do Brasil caiu de 58% para 37%. Enquanto isso, a fatia de produtos básicos passou de 22% para 47%.

 

“Commodity é muito bem vindo porque o valor do dólar exportado é o mesmo do manufaturado, mas a diferença é que quem exporta não tem controle do mercado”, explicou. Casto destacou que a América do Sul e os Estados Unidos são os principais destinos dos produtos manufaturados brasileiros devido à distância.  “A logística caríssima e o custo tributário não nos dão fôlego para exportar mais longe, por isso damos um voo de galinha para a América do Sul, cuja logística não é tão complicada”, completou.

 

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De acordo com dados apresentados pelo presidente da AEB, as pequenas e médias empresas representam 90% das exportadoras, mas vendem apenas 5% do valor total vendido ao mercado externo. Essas companhias enfrentam  muitas dificuldades para exportar, principalmente os custos logísticos e tributários, que pesam mais de 35% nas exportações brasileiras, limitando a competitividade dos produtos nacionais.  Ele ressaltou ainda que, atualmente, os entraves para as exportações brasileiras são mais internos do que externos e que falta uma atuação mais coordenada do governo e de seus ministérios.

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