De luto por massacre em Las Vegas, EUA investiga motivação de agressor

Drew Angerer/Getty Images/AFP


Las Vegas, Estados Unidos –
Os Estados Unidos choravam nesta terça-feira (4/10) as dezenas de vítimas do pior massacre em sua história recente, enquanto as autoridades investigam o que motivou um contador aposentado de 64 anos a disparar contra milhares de pessoas em Las Vegas.

O presidente Donald Trump qualificou Stephen Paddock, autor do massacre que deixou 59 mortos e quase 530 feridos, de “doente” e “louco”, enquanto o comissário da cidade, Joseph Lombardo, o chamou de “lobo solitário” e “psicopata”.
Para além dos diagnósticos, os investigadores querem entender como este americano branco sem antecedentes criminais acabou com um vasto arsenal com o qual abriu fogo no domingo de um quarto de hotel no 32º andar contra um festival de música country ao ar livre. A namorada do autor do massacre de Las Vegas, procedente de Manila, chegou aos Estados Unidos.

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Marilou Danley, 62 anos, embarcou na terça-feira à noite em um voo da Philippine Airlines em direção a Los Angeles, disse a porta-voz do Escritório de Migrações das Filipinas, Maria Antoinette Mangrobang. Agentes do FBI aguardavam Marilou Danley no aeroporto, indicou a imprensa.

Os investigadores consideram que Danley é uma pessoa importante para a investigação, mas ela mantém a total liberdade de movimento. O Escritório Nacional de Investigações (NBI) filipino informou que recebeu ajuda do FBI americano para localizar Danley.
O NBI investiga informações da imprensa de que Danley chegou às Filipinas no mês passado e que havia recebido 100.000 dólares transferidos por Paddock para uma conta bancária. Danley é uma cidadã australiana que emigrou para os Estados Unidos há 20 anos para trabalhar em um cassino, segundo o governo australiano.
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Ao mesmo tempo, inúmeras vigílias foram realizadas em solidariedade às vítimas em Las Vegas, enquanto a lista com os nomes das vítimas era divulgada na imprensa: uma professora da pré-escola que casou com seu amor de infância, uma enfermeira, uma líder de torcida, um policial, entre outros. “Identificamos todas (as vítimas), menos três”, disse Lombardo a jornalistas.
Sem silenciador 
O massacre também abriu o debate sobre a necessidade de endurecer o controle da posse de armas de fogo, algo que Trump e muitos líderes republicanos se opõem fervorosamente. “A polícia fez um extraordinário trabalho e falaremos das leis de armas à medida que o tempo passar”, disse Trump a jornalistas antes de viajar a Porto Rico para se reunir com os danificados pelo furacão Maria.
Espera-se que o presidente visite Las Vegas na quarta-feira. O presidente da Câmara de Representantes, Paul Ryan, informou que um projeto de lei que facilitaria a compra de silenciadores para armas de fogo foi retirado da agenda de debates.
Anteriormente, Trump havia assinalado no Twitter que muitos sobreviveram devido ao barulho dos disparos: “imaginem as mortes se o atirador tivesse usado um silenciador”. As autoridades continuam analisando com cuidado a reivindicação feita na segunda-feira pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI) sobre o ataque de Paddock, a quem definiu como “um soldado do califado”.
O FBI descartou qualquer conexão com o grupo, enquanto especialistas concordavam de que se trata de uma estratégia da organização para recrutar pessoas em momentos de muita pressão militar no Iraque e na Síria. “Não tenho ideia”, disse Trump sobre um eventual vínculo entre o atirador e a organização extremista.
Vizinho de ‘lunático’
A polícia disse que Paddock quebrou a janela de seu quarto no hotel cassino Mandalay Bay, provavelmente com um martelo, pouco depois das 22h00 de domingo (02h00 de Brasília de segunda-feira) para disparar durante nove minutos com armas automáticas contra as milhares de pessoas que estavam no show de Jason Aldean.
Em gravações amadoras pode-se ouvir as rajadas enquanto as pessoas gritam e se protegem sem saber de onde vêm as balas. “Vimos pessoas no chão, não sabíamos se tinham caído ou se estavam feridas”, contou à AFP um dos sobreviventes, Ralph Rodríguez. “As pessoas não só se agarravam aos seus entes queridos como também a qualquer estranho”.
Lombardo indicou que Paddock disparou contra a porta de seu quarto, ferindo um segurança na perna. No quarto foram encontradas 23 armas de fogo, incluindo diversas automáticas, e câmeras de vídeo que são analisadas pelo FBI. Cerca de 67 vídeos de segurança também estão sendo verificados.
Em sua casa na cidade de Mesquite, a 130 quilômetros de Las Vegas, a polícia encontrou outras 19 armas de fogo, vários quilos de explosivos e muita munição. Em seu veículo encontraram nitrato de amônio e um fertilizante que combinado com derivados do petróleo é usado como um forte explosivo. “Não me dei conta até que comecei a ver nos noticiários que este lunático morava aqui mesmo”, disse um vizinho, Rod Sweningson, cuja casa fica a poucos metros da de Paddock.
Obviamente premeditado
Lombardo disse que estão “rastreando e seguindo cada pista” do histórico de Paddock para tentar entender o que aconteceu. “Foi obviamente premeditado. O fato de ter tudo isso em sua casa mostra o planejamento. E estou certo de que avaliou cada passo de suas ações, o que é preocupante”, indicou Lombardo.
Seu irmão, Eric Paddock, disse na segunda-feira que “era um cara normal”, que gostava de apostar e “não era ávido por (usar) pistolas”. O pai dos dois esteve na lista dos mais procurados por roubo a bancos nos anos 1960. Mas Stephen não tinha antecedentes criminais nem histórico de doenças neurológicas, disse.
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