Deputado prepara 2ª ação contra juiz que autorizou terapia da ‘cura gay’

Gustavo Lima/Câmara dos Deputados Wyllys disse que autorizar a terapia é o mesmo que liberar o charlatanismo

O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) anunciou que vai entrar ainda nesta quarta-feira (20/9), com uma representação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pedindo providências contra o juiz federal Waldemar Cláudio de Carvalho. O magistrado concedeu liminar liberando que psicólogos ofereçam terapia de reversão sexual, a chamada “cura gay”. 

Essa será a segunda ação no CNJ contra o juiz da 14ª Vara do Distrito Federal. Na terça-feira (19/9), o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) anunciou o pedido de abertura de processo administrativo contra o magistrado. O deputado do PSOL também pretende entrar como colaborador, junto com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no recurso do Conselho Federal de Psicologia para tentar reverter a decisão de Carvalho.
Na segunda-feira (18/9), o juiz atendeu ao pedido da psicóloga Rozangela Alves Justino em processo aberto contra o Conselho Federal de Psicologia, que aplicou uma censura à profissional por oferecer a terapia aos seus pacientes. A terapia que promete a reversão sexual é proibida pelo colegiado desde 1999. Rozangela é auxiliar do gabinete do deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), pastor e ligado a Silas Malafaia.
Wyllys disse que autorizar a terapia é o mesmo que liberar o charlatanismo, uma vez que homossexualismo não é doença, é uma das expressões da sexualidade humana. Wyllys alega que a homofobia e a violência são as verdadeiras causadoras do sofrimento psíquico e que esse tipo de tratamento estimula o suicídio. “Essas terapias partem para o eletrochoque, lobotomia e tortura”, apontou.
O deputado informou que diversas manifestações estão sendo agendadas para os próximos dias nas principais capitais do País contra a decisão do juiz. Movimentos sociais que organizam os protestos batizaram os eventos de “Parada de Direitos”.

Projeto desengavetado

Wyllys manifestou preocupação com a retomada do tema na Câmara, enterrado em 2013. Em 2016, o deputado Ezequiel Teixeira (PTN-RJ), pastor e membro atuante da bancada evangélica, apresentou um projeto que autoriza profissionais de saúde mental a aplicar terapias em pacientes “com transtornos psicológicos da orientação sexual egodistônica”, mas a proposição estava engavetada. 
O projeto libera o tratamento para “transtorno de maturação sexual, transtorno do relacionamento sexual e transtorno do desenvolvimento sexual” e diz que o objetivo é “auxiliar a mudança da orientação sexual, deixando o paciente de ser homossexual para ser heterossexual”. O projeto também proíbe que profissionais dedicados a este tipo de “terapia” sejam punidos por órgãos de classe. 
A proposta voltou a andar no fim de agosto na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara, com a escolha do relator Diego Garcia (PHS-PR), da bancada evangélica e relator do chamado “Estatuto da Família” – que define família como a união civil entre homem e mulher.
O projeto está em fase de apresentação de emendas. “A força de 2013 não foi nossa, foi da sociedade para enterrar o projeto (da cura gay). Agora, a gente não sabe. Espero que essa reação cresça”, disse Wyllys.
Deputado prepara 2ª ação contra juiz que autorizou terapia da ‘cura gay’
Rate this post
Greve paralisa os Correios em 20 Estados e no DF, diz federação
México eleva para mais de 220 número de mortos por terremoto