‘Feliz por estar vivo’, diz artista alvo de ataques xenófobos em Berlim

Reprodução/Facebook

“Infelizmente a violência e a intolerância estão em toda parte. Estou feliz por estar vivo e rodeado de bons amigos! Viva o circo! Viva a diversidade! Estamos vivos!”. O relato é de Rafael Gonçalves, mais conhecido como Pikapau, artista circense que foi alvo de ataques xenófobos em Berlim, na Alemanha, na última segunda-feira (7/8). Após deixar o hospital onde ficou internado por quase sete dias, ele publicou, em sua conta pessoal do Facebook, um texto em agradecimento às mensagens de apoio que tem recebido desde o episódio.

“Gostaria de agradecer do fundo do meu coração a todo o carinho. Tenho recebido muito apoio do festival, de amigos e artistas em Berlim e ao redor do mundo e isso me enche de alegria e esperança”, escreveu. Pìkapau informou, ainda, que precisará voltar ao hospital em uma semana para fazer uns exames na intenção de garantir que ocorreu tudo bem com a cirurgia.
Residente em Cabo Verde, o artista gaúcho ainda não sabe quando voltará para casa. Ele deve ficar na cidade durante sua recuperação, hospedado na casa de amigos. Rafael quebrou o maxilar, o nariz e alguns ossos da bochecha. Ele precisou colocar uma placa de titânio na face, em uma cirurgia realizada na última quarta (9/8).
Pikapau foi a Berlim como convidado para participar de um festival de arte de rua. A organização do evento, que ajuda na intermediação entre o artista e a polícia local para concluir as investigações, está promovendo uma série de eventos beneficentes para ajudar Rafael com os custos do tratamento e da hospedagem na cidade. “Todos nós rezamos por justiça e queremos receber apoio financeiro para a sua recuperação a longo prazo em Berlim. Por favor, venha!”, escreveram na descrição de uma das festas, nas redes sociais. 
A ONG Associação Artística e Cultural – Mindelact, que visa o desenvolvimento e a promoção das artes cênicas em Cabo Verde, prestou uma homenagem a Rafael e lamentou a “bárbara agressão” ocorrida em solo alemão: “A arte e o amor será sempre a melhor resposta contra estes crimes de ódio. Nós te amamos, Rafa, e nosso coração bate por você!”. 

Prisão dos suspeitos

De acordo com a Embaixada do Brasil, a polícia local prendeu um dos suspeitos e, segundo o ministro Roberto Avelar, do consulado brasileiro na capital alemã, os investigadores “estão tomando todas as providências para punir os responsáveis pelo crime de ódio”. Avelar afirmou ainda que não tem mais detalhes sobre a investigação policial instaurada no país, pois, segundo a legislação local, “corre em sigilo”. 

Relembre 

Na madrugada de segunda-feira (7/8), último dia de festival, Rafael e mais cinco amigos foram passear para conhecer melhor a região e celebrar o encerramento dos espetáculos. Fizeram uma pequena caminhada da Alexanderplatz, uma das praças mais conhecidas de Berlim, até o centro, por volta das 22h. De acordo com uma das pessoas que estava no momento dos ataques, mas que preferiu não ser identificada com medo de retaliações, o grupo — de dois brasileiros, dois argentinos e dois chilenos — começou a ser seguido por cinco alemães que estavam visivelmente alterados. O maior deles, segundo ela, agrediu o Pikapau, com socos no rosto, que acabou desmaiando. Mas o ataque não terminou. “Mesmo no chão, eles continuaram batendo nele, chutando o rosto dele”, acrescentou.
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