Forças iraquianas entram em Hawija, reduto do Estado Islâmico

Ahmad al-Rubaye/ AFP


Hawiya, Iraque –
As forças iraquianas entraram na cidade de Hawija, nesta quarta-feira (4/10), último reduto do grupo Estado Islâmico (EI) no norte do Iraque. “Com a ajuda de Deus, do Exército, da Polícia Federal e das forças de intervenção rápida começaram nesta quarta-feira uma grande operação para libertar o centro de Hawija e a cidade adjacente de Riad”, declarou em um comunicado o comandante das operações na região, o general Abdel Amir Yarallah.

A operação para expulsar os extremistas do EI de uma das duas regiões do Iraque, onde o grupo ainda está presente, começou há 13 dias. No período, as tropas governamentais assumiram o controle de quatro cidades e de dezenas de vilarejos. “A terceira fase da operação de libertação de Hawija começou com fogo de artilharia e mísseis contra as posições do EI na cidade”, afirmou o general Raed Jawdat, chefe da Polícia Federal.
Unidades motorizadas e franco-atiradores da Polícia entraram na cidade pela zona noroeste, ao lado de combatentes das Unidades de Mobilização Popular (UMP). “Estão avançando e o objetivo é tomar sete bairros de Hawija e 12 alvos vitais”, disse Jawdat, sem revelar mais detalhes.
As UMP indicaram que seus homens estavam retirando as minas das estradas para facilitar o avanço das forças governamentais até o centro da cidade. “O EI se retirou dos arredores de Hawija para o centro porque suas linhas de defesa foram quebradas”, anunciaram as UMP.
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12.500 deslocados 
Ao todo, 12.500 pessoas fugiram de Hawija desde o início da ofensiva das tropas iraquianas, de acordo com a ONU. O Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha, na sigla em inglês) da ONU calcula que até 78.00 civis podem estar em Hawija. Postos de controle, acampamentos e unidades de emergência com capacidade para 70.000 pessoas foram instalados na região.
Hawija, a 230 quilômetros de Bagdá, é uma das últimas ainda sob controle do EI no Iraque. Nos últimos meses, os extremistas do EI foram expulsos da maioria dos territórios que conquistaram em 2014. Hawija é um reduto insurgente desde a invasão do Iraque pelos Estados Unidos em 2003. Pela aguerrida resistência às tropas americanas, a cidade ganhou o apelido de “Kandahar iraquiana”, em referência ao bastião talibã do Afeganistão. A população árabe sunita de Hawija é profundamente hostil ao governo central de Bagdá e aos curdos, majoritários nas localidades próximas.
O EI se viu obrigado a abandonar a maior parte do território que conquistou no Iraque e na Síria durante uma ofensiva relâmpago a partir de agosto de 2014, quando declarou um “califado” transfronteiriço. Na Síria, com o apoio de uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, as Forças Democráticas Sírias (FDS), uma aliança curdo-árabe, reconquistaram 90% de Raqa, a capital síria do EI, que está perto da queda.
Ao mesmo tempo, o Exército sírio, com o apoio da Aviação russa e de diversas forças paramilitares, incluindo o movimento libanês Hezbollah, conquistou grande parte de Deir Ezzor, capital da província de mesmo nome, perto da fronteira com o Iraque.
Na semana passada, o líder do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, que diversas fontes consideravam morto, reapareceu em uma mensagem de áudio para pedir “resistência” aos extremistas e ataques aos inimigos no exterior.
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