França libera 200 mil euros para ajudar Brasil na crise dos venezuelanos

(foto: Mauro Pimentel/AFP)(foto: Mauro Pimentel/AFP)

 

O embaixador da França no Brasil, Michel Miraillet, liberou na tarde desta sexta-feira (14/09) exatos 200 mil euros, cerca de R$1 milhão, para que a Cárita Arquidiocesana de Manaus possa prestar assistência humanitária aos venezuelanos que chegam à capital amazonense a procura de novas oportunidades. A entidade trabalha na defesa dos direitos humanos e é vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
A embaixada da França explicou que a contribuição será assistida e coordenada pelo Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). No entanto, a ideia é que a Cáritas contribua para o “acolhimento e a integração” de 108 famílias de imigrantes na cidade de Manaus. 
Segundo o Padre e vice-presidente da Cáritas de Manaus, Orlando Gonçalves, a instituição religiosa prestará a “assistência necessária”, durante 10 meses, para que os venezuelanos possam se instalar e se integrar à comunidade local. A entidade esclarece que não pretende alojar os imigrantes em abrigos, mas sim, fornecer todas as condições para que eles conquistem casas próprias. “É possível. Com simplicidade, solidariedade e muito trabalho a gente consegue fornecer essa ajuda. Não devemos tratar isso como um problema, mas como uma oportunidade”, ressalta o padre.
Gonçalves explica que as 108 famílias vão continuar na cidade amazonense onde serão oferecidos cursos profissionalizantes e de línguas. Ele também afirma que essas pessoas não vão ser interiorizadas pelo programa do Governo Federal. “Essas famílias terão autonomia para integrar-se à sociedade amazonense. Esses recursos vão permitir essa autonomia”, conta.
Para o embaixador Michel Miraillet, a atuação do Brasil na condução da crise migratória tem sido um “exemplo formidável” de abertura. Ele esclarece que iniciativas como a do Brasil não tem sido muito comum na Europa e que o governo Francês tem observado a atitude brasileira, de abertura das fronteiras, como um exemplo para o mundo. “Enquanto a Europa têm fechado suas portas para a imigração, eu que acreditava na Europa como um ‘país’ aberto, vejo o Brasil agora, apesar de toda a crise que tem passado, se mostrar tão generoso. Realmente é algo muito raro e nobre”, acredita.
O francês ressalta que mesmo sendo um “gesto modesto”, a relação com o governo brasileiro permite que contribuições do tipo sejam, cada vez mais, fornecidas. “Sabemos que existem parceiros que podem fazer muito mais como a Alemanha e outros países da Europa, mas as relações que a França tem com o Itamaraty e com o Planalto, mostram que há como sempre fazer um pouco mais”. 
O governo Francês, segundo o embaixador, considera que a situação da Venezuela se tornou um fator desestabilizante e de consequências “nefastas” para “dois países amigos”, o Brasil e a Colômbia. “Dentro desse quadro nós conseguimos que nossas autoridades nos dessem essa oportunidade de oferecer o montante financeiro como prova da consideração”.
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