Fujimori critica prisão de Keiko e pede que filhos estejam unidos

Keiko Fujimori, de 43 anos, foi candidata à presidência em 2011 e 2016, perdendo em votações muito apertadas(foto: AFP/Luka Gonzales)Keiko Fujimori, de 43 anos, foi candidata à presidência em 2011 e 2016, perdendo em votações muito apertadas (foto: AFP/Luka Gonzales)

 

Lima, Peru – O ex-presidente peruano Alberto Fujimori declarou neste sábado (13/10) que a prisão de sua filha Keiko lhe causou a “maior dor” de sua vida, e pediu que seus filhos, que disputam a liderança da maior força eleitoral do país, estejam “unidos”.

“Não senti dor maior em toda a minha vida do que quando vi minha filha sendo detida e levada à prisão”, declarou Fujimori do leito do hospital, onde permanece internado em qualidade de detido desde que a Suprema Corte peruana anulou o seu indulto.
Fujimori, de 80 anos, também pediu que seus filhos Keiko e Kenji estejam “mais unidos do que nunca”.
“A ela todo o meu carinho e apoio neste momento tão duro”, acrescentou sobre a detenção preliminar de sua filha, enquanto ela é investigada pela Procuradoria por uma suposta contribuição para a sua campanha presidencial de 2011 feita pela empreiteira Odebrecht, o que nega.
O ex-presidente foi indultado em dezembro pelo então presidente Pedro Pablo Kuczynski durante o cumprimento de uma pena de 25 anos de prisão por crimes contra a humanidade e corrupção.
“Que os responsáveis (da Justiça) continuem com todas as investigações, mas respeitando a presunção de inocência. Só peço um devido processo” para Keiko, acrescentou Fujimori em uma mensagem de áudio, acompanhada por uma foto, enviada por pessoas próximas à AFP e a outros veículos de comunicação.
“Ela sempre colaborou com a Justiça, não há razão para que a afastem de minhas netas dessa maneira”, afirmou o ex-governante.
Fujimori conta com uma forte popularidade no Peru por ter acabado durante o seu mandato com o terrorismo do Sendero Luminoso e com a hiperinflação herdada de seu antecessor, o social-democrata Alan García. 
Isto permitiu que o fujimorismo se tornasse a maior força eleitoral do Peru, porém o seu legado é agora disputado por Keiko e Kenji, que poderiam se enfrentar nas eleições de 2021.
“A todos os meus filhos, peço que estejam mais unidos do que nunca, que esse momento sombrio nos ajude a voltar a ser uma família unida”, declarou neste sábado.
Keiko, de 43 anos, foi candidata à presidência em 2011 e 2016, perdendo em votações muito apertadas; e Kenji, de 38 anos, foi o legislador mais votado em ambas as eleições. 
Contudo, as ambições políticas dos irmãos, assim como suas diferenças sobre como conseguir o indulto para seu pai, romperam a unidade familiar.
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