Grécia se reergue, mas mercado de trabalho se precariza

LOUISA GOULIAMAKI / AFP
Após sete anos de crise, a Grécia começa a se reerguer com a volta aos mercados financeiros, o retorno do crescimento econômico e novos recordes no turismo. O outro lado dessa moeda é uma crescente precarização do mercado de trabalho que afeta sobretudo aos jovens. O país está esboçando uma recuperação após sete anos de recessão. Em julho, a Grécia voltou aos mercados, depois de passar três anos ausente, com uma obrigação a cinco anos que foi mais bem acolhida que a última emitida em 2014 pelo governo anterior. 
Markos Markakis, de 28 anos, teve sete empregos provisórios depois de quatro anos de estudos d nível superior, antes de conseguir um contrato fixo em Atenas. Atualmente, trabalha bem mais que as oito horas diárias legais e ganha apenas um salário mínimo, de 684 euros brutos. “Estou feliz de ter encontrado trabalho, mas começo às 10H30 e não paro até à noite, às vezes até as 02H00. Não tenho vida fora do escritório”, relata.

30 euros por dia 

O Produto Interno Bruto também deve voltar a crescer nesse ano – estima-se que 2%. “O caminho ainda é longo, mas podemos ser otimistas”, comentou recentemente o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras. O desemprego, que chegou a um pico em 2013 (27,8%), retrocede lentamente, mas, com 21,7% de desempregados em maio, continua o maior da zona do euro. 
Os jovens são os mais afetados, com índice de desocupação de 44,4% entre 15 e 24 anos e de 27,9% entre 25 e 35 anos, segundo a Elstat, autoridade de estatísticas do país. Para chegar ao fim do mês, eles acabam aceitando empregos de baixa qualidade. 

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Em uma cervejaria em Atenas, Yannis K., de 22 anos, trabalha todos os dias sem descanso das 19H00 às 04H00, com apenas uma ou duas folgas por mês. “Toda manhã, vou embora com 30 euros, então estou feliz, e se meu chefe me pagasse metade, eu aceitaria. Se você nega um trabalho, sabe que é bem possível não encontrar outro, e isso é o que dá medo”, explicou o jovem que não quis revelar seu sobrenome. 

“Nos últimos anos houve um aumento súbito dos trabalhos de meio período (menos de 30 horas semanais) com um salário que não supera os 380 euros brutos, enquanto o trabalho informal bate recordes”, destaca Savvas Robolis, diretor do Instituto do Trabalho, um grupo de reflexão da grande confederação sindical GSEE. 

Falta de cobertura

A suspensão das convenções coletivas imposta pelo credores do país, o FMI e a União Europeia, favoreceu a desregulamentação dos empregos, o que geralmente se traduz em falta de cobertura na previdência social: só 8% dos jovens de 20 a 24 anos estão cobertos, segundo dados oficiais. 
Para combater este problema, o Ministério do Emprego anunciou que quer apresentar um projeto de lei para frear o trabalho informal. “Devido ao desemprego, a relação de força beneficia os empresários. Eles gerem os horários e a remuneração dos empregados como querem, com atrasos nos pagamentos de um a 15 dias”, afirma Savvas Robolis.
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