Idosos que passeiam com cães de estimação são mais saudáveis, indica estudo

Darren McCollester/Getty Images/AFP

Quer ter uma velhice saudável? Adote um cachorro. Levar o cão para passear pode aumentar os níveis de atividade física dos idosos, que, em média, exercitam-se por 30 minutos diários a mais que o habitual. Foi o que constatou uma pesquisa publicada no Journal of Epidemiology & Community Health. Com essa descoberta, os autores do estudo sugerem que ter um pet deveria ser recomendação médica para essa faixa etária.

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À medida que os adultos envelhecem, eles tendem a se tornar menos ativos: estima-se que menos da metade dos adultos mais velhos atenda à recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de se exercitar por ao menos 150 minutos semanais. Para saber se os cães poderiam motivar idosos a deixar o sedentarismo de lado, os pesquisadores utilizaram dados dos participantes de um grande estudo epidemiológico, a Investigação Prospectiva Europeia sobre Câncer e Nutrição (Epic). Esse trabalho, iniciado em 1993, teve como objetivo examinar os possíveis vínculos entre dieta e câncer. Mas, desde então, expandiu o foco para incluir outros fatores associados a condições como incapacidade e morte na meia-idade.

Entre setembro de 2006 e dezembro de 2011, uma amostra de 3.123 adultos com idade entre 49 e 91 anos (média de 69,5 anos) foi convidada a usar um pedômetro por sete dias consecutivos e fornecer informações sobre a atividade física regular. Também se perguntou se eles tinham um cão e, em caso afirmativo, com que frequência levavam o animal para uma caminhada.

Quase uma em cada cinco pessoas da amostra (18%) era tutora de um cachorro, e dois terços disseram que os levavam para caminhar ao menos uma vez por dia, sendo classificadas pelos pesquisadores como passeadores comuns. Um terço disse que caminhava com o cão menos do que isso, se caracterizando como passeador não regular. No total, os participantes gastavam, em média, 11 horas, ou 667 minutos, sentados diariamente, sendo menos ativos ainda quando chovia, estava frio ou quando os dias eram mais curtos.

Os passeadores regulares também se exercitavam menos nos dias chuvosos, mas, ainda assim, mostravam-se mais ativos independentemente do clima, comparados às pessoas que não tinham cachorros. Além disso, registraram no pedômetro mais atividade física quando a temperatura caiu abaixo de 10ºC do que aqueles que andavam com os cães de forma irregular ou que não tinham um pet. Os níveis de atividade física dos passeadores regulares foram, em média, 20% maiores que os demais, e eles passaram 30 minutos a menos sentados.

Sem tempo ruim

De modo geral, os tutores de cães que caminhavam regularmente com os animais de estimação eram mais ativos e menos sedentários nos dias com as piores condições climáticas do que as pessoas que não tinham um cachorro em dias com as melhores condições climáticas. “Nós ficamos encantados de descobrir que os passeadores de cães eram mais ativos e passavam menos tempo no sofá nos dias mais frios, secos e curtos quando comparados aos que não tinham cães em dias mais quentes, ensolarados e longos. O tamanho da diferença observada entre esses grupos foi bem maior do que o tipicamente encontrado em intervenções como sessões de atividade física em grupo, usadas para ajudar as pessoas a se manter ativas”, comenta Andy Jones, do Centro de Pesquisas de Dieta e Atividades Físicas (Cedar), que liderou o projeto.

Nos casos em que ter um cão não é possível, os pesquisadores sugerem que as organizações comunitárias locais, como condomínios e instituições de caridade, organizem grupos de caminhada com os animais da vizinhança. “As intervenções de atividades físicas geralmente tentam estimular as pessoas a serem mais ativas, focando nos benefícios que elas terão. Mas caminhar com o cão é benéfico para o animal. Ser levado por algo além das nossas próprias necessidades, pode realmente ser um motivador potente, e precisamos encontrar meios de inserir esse tipo de abordagem nas intervenções de atividades físicas”, conclui Jones.

Redução de remédio

Diminuir a quantidade de medicamentos ingeridos é um dos desafios de adultos e de quem chega à terceira idade. Um estudo da Universidade de Copenhague mostra que, no caso do diabetes tipo 2, o efeito redutor pode vir da prática de exercícios. Em experimento, os cientistas constataram que 73,5% dos voluntários  amenizaram as doses dos remédios tomados diariamente após 12 meses de atividades físicas.

Os participantes do estudo haviam sido diagnosticados há menos de 10 anos com a doença metabólica e foram divididos em dois grupos: 34 seguiram uma lista de cuidados padrões e 64 tiveram que mudar o estilo de vida, incluindo a prática de exercícios físicos. Todos receberam atendimento com aconselhamento individual e terapia médica padronizada.

Os integrantes do grupo de intervenção no estilo de vida tiveram que cumprir de cinco a seis sessões de treinamento aeróbico por semana, com duração de 30 a 60 minutos cada uma. Das sessões, de duas a três tinham que ser combinadas com treinamento de resistência. Esses participantes receberam ainda planos dietéticos para a redução do índice de massa corporal.

No fim do acompanhamento, a redução na ingestão de medicamentos ocorreu em 73,5% dos participantes do grupo de mudanças no estilo de vida e em 26,4% dos submetidos aos cuidados padrões, uma diferença de 47,1 pontos percentuais. “Pesquisas adicionais são necessárias para avaliar a superioridade, bem como generalização e durabilidade dos achados”, ressaltaram os autores do estudo, divulgado, nesta semana, no Journal of the American Medical Association (Jama).

A equipe destacou ainda que, embora a medicação seja eficaz em pacientes com diabetes tipo 2, ela também está associada a possíveis interações medicamentosas adversas, desconfortos, custos econômicos aumentados e menor qualidade de vida. 

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