Iraque retoma Hawija, um dos dois últimos redutos do Estado Islamico

AHMAD AL-RUBAYE/ AFP

Hawija, Iraque – As forças iraquianas recuperaram, nesta quinta-feira (5/10), o controle da cidade de Hawija, um dos dois últimos redutos do grupo extremista Estado Islâmico (EI) no país, onde resta apenas um bolsão jihadista na região desértica que faz fronteira com a Síria. 

As unidades do exército e da polícia, assim como as forças paramilitares de Hashd Al-Shaabi, entraram na quarta-feira na cidade sunita de mais de 70.000 habitantes, apelidada de “Kandahar do Iraque”, em referência ao reduto talibã no Afeganistão. Elas avançaram rapidamente nos bairros completamente desertos de moradores e onde os combatentes o EI não resistiram, segundo jornalistas da AFP.
Em Paris, onde realiza uma visita oficial, o primeiro-ministro iraquiano Haider Al-Abadi, comandante em chefe das Forças Armadas, proclamou “a libertação da cidade de Hawija”. “Resta apenas um pequeno pedaço fronteiriço a ser reconquistado”, acrescentou, após se reunir com o presidente francês Emmanuel Macron.
A vitória na batalha por Hawija, iniciada em 21 de setembro, acontece ao mesmo tempo em que as forças iraquianas continuam seus combates em outra frente, no deserto próximo da fronteira com a Síria.
Na área ao longo da fronteira síria, os extremistas controlam duas localidades: Rawa e Al-Qaim, do outro lado da província de Deir Ezzor, na Síria. Em 19 de setembro, as forças iraquianas iniciaram uma ofensiva para reconquistar ambas. Uma terceira localidade, Anna, foi retomada, mas as operações de retirada de minas terrestres ainda não terminaram.
Leia mais notícias em Mundo
 ‘Limpeza’
Durante as operações, cerca de 1.000 dispositivos explosivos foram descobertos e desarmados, segundo o chefe da Defesa Civil na província de Al-Anbar, o general Fawzy Yassin, à AFP. “Esta limpeza permitirá que os deslocados voltem para casa”, afirmou Abdel Karim al-Ani, chefe do conselho local de Anna. Em cerca de 20 dias de violentos combates em Hawija, cidade localizada 230 km a norte de Bagdá, os civis encontraram-se no fogo cruzado. Cerca de 12.500 pessoas fugiram desde o início da ofensiva, segundo a ONU.
Os primeiros civis que fugiram de Hawija relataram o medo da vida cotidiana sob o comando dos extremistas e de serem usados como escudos humanos pelo grupo ultrarradical. De acordo com a ONG  Norwegian refugee council (NRC), “nenhuma organização internacional conseguiu entrar em Hawija sob o controle do EI por dois anos”.
O Iraque tem recuperado gradualmente o controle dos territórios que caíram nas mãos dos extremistas há mais de três anos após uma longa série de combates com o apoio da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos. Outra questão com a qual as autoridades iraquianas tentam lidar é a curda. As tensões aumentaram após a realização em 25 de setembro de um referendo de independência no Curdistão iraquiano.
Nesta quinta, o presidente Macron estimou que os direitos dos curdos deveriam ser “reconhecidos dentro da Constituição para preservar a estabilidade e a integridade territorial do Iraque”. Ao seu lado, Abadi garantiu não querer o confronto armado, ressaltando, porém, que a autoridade federal deve prevalecer. Acuado em todos os seus redutos no Iraque e na Síria, o EI vê seu “califado” proclamado em 2014 desmoronar frente as ofensivas de seus adversários apoiados pelos Estados Unidos ou pela Rússia.
Na Síria, com o apoio da coalizão internacional, as Forças Democráticas Sírias (FDS), uma aliança curdo-árabe, reconquistaram 90% de Raqa, a “capital” síria do EI, que está perto da queda. O grupo extremista também foi totalmente expulso, na quarta-feira, da província de Hama (oeste) pelo exército sírio e seus aliados, após um mês de combates.
Iraque retoma Hawija, um dos dois últimos redutos do Estado Islamico
Rate this post
'James Bond' da Alemanha é condenado por fraude fiscal milionária
Justiça do Equador aceita pedido para revisar prisão de vice-presidente