Líderes dos Brics repudiam novo teste nuclear de Pyongyang

Kenzaburo Fukuhara / AFP


Xiamen, China –
Os líderes dos BRICS, grupo das economias emergentes, condenaram energicamente nesta segunda-feira (4/9) o mais recente teste nuclear da Coreia do Norte, que acabou dominando a cúpula anual do países membros. “Expressamos nossa profunda preocupação com a situação tensa e prolongada com a questão nuclear na península coreana”, afirma a declaração da cúpula.

O grupo é composto por Brasil, Rússia, Índia, África do Sul e a anfitriã China – uma parceira de longa data da Coreia do Norte. Eles acreditam que o assunto “deveria ser resolvido de forma pacífica, com uma diálogo direto entre todas as partes envolvidas”.
A Coreia do Norte anunciou, neste domingo, ter testado com sucesso uma bomba de hidrogênio com potência muito maior que seus testes anteriores. Segundo o Ministério da Defesa sul-coreano, o sexto teste teve potência estimada de 50 quilotoneladas. 
A cúpula dos BRICS reúne o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, os presidentes Vladimir Putin, da Rússia, Michel Temer e Jacob Zuma, da África do Sul, além do anfitrião, o chefe de Estado chinês, Xi Jinping. Também participaram outros cinco países em desenvolvimento, como México e Egito. 
Vizinho incômodo 
Não é a primeira vez que a Coreia do Norte atrapalha uma importante reunião da China. Em maio, a cúpula das Novas Rotas da Seda foi perturbada em sua abertura em Pequim por um lançamento de mísseis pela Coreia do Norte. Esse bloco foi lançado em 2009 entre as cinco potências que representam mais de 40% da população mundial e que tentam contrabalançar as regras econômicas escritas pelos ocidentais. Esse objetivo, contudo, parece cada vez mais distante. 
As cinco potências, afastadas por sistemas políticos e econômicos muito distintos, sempre tiveram suas diferenças, mas a falta de coesão ficou ainda mais evidente nos últimos meses, segundo vários analistas. O principal resultado concreto do grupo é a criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), uma instituição pensada para ser uma alternativa ao Banco Mundial, que muitos acusam de estar nas mãos do ocidentais. 
No âmbito comercial, a China tem relações importantes com os quatro sócios, o que desperta críticas da Índia, que considera sua concorrência desleal. Apesar disso, Pequim se recusa a admitir que os BRICS tenham influência em temas geopolíticos, como a atual crise com a Coreia do Norte. “Algumas pessoas, observando que o crescimento sofreu contratempos nos mercados emergentes e nos países em desenvolvimento, afirmam que os Brics perderam o brilho”, disse o presidente chinês no domingo, mas garantiu que, apesar dos “ventos contrários de intensidades distintas”, o bloco continua “totalmente confiante”.
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