Merkel enfrenta o desafio da direita nas eleições alemãs deste domingo

Thomas Kienze / AFP

Angela Merkel, favorita nas eleições legislativas de domingo, e seu adversário social-democrata Martin Schulz tentam nesta sexta-feira (22/9) mobilizar suas tropas e atrair os indecisos em um fim de campanha marcado pela ascensão da direita nacionalista.

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A chanceler de 63 anos, que poderá obter no domingo seu quarto mandato, realiza nesta sexta-feira um comício em Munique, enquanto que Schulz, de 61, falará a seus seguidores em Berlim.

Os conservadores de Merkel superam claramente os social-democratas, mas as últimas pesquisas são motivo de preocupação.

A União Cristã-Democrata (CDU) e seu aliado bávaro CSU obteriam 36% dos votos, segundo pesquisa da cadeia ZDF publicada na noite de quinta. Mas essa porcentagem os aproxima de seu segundo pior resultado da história (35,1% em 1998).

Schulz quer ver nesta erosão uma “virada de última hora”.

Mas isso não beneficia o próprio Schulz, ex-presidente do Parlamento Europeu: os social-democratas apenas conseguem nesta pesquisa 21,5% dos votos, também um mínimo histórico.

E 37% dos entrevistados se declaram ainda indecisos sobre seu voto no domingo.

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A direita populista cresce

É a direita populista da Alternativa para a Alemanha (AfD) que registrou um crescimento mais claro neste fim de campanha, chegando a 11% ou mais, de acordo com outras pesquisas.

A AfD radicalizou sua campanha, centrando seus ataques contra os migrantes os muçulmanos e o arrependimento pelos crimes nazistas.

“Acho que teremos um bom resultado. Esperamos ser a terceira força política do país”, assegura um simpatizante, Arne Siegel, de 55 anos, durante um comício na noite de quinta em Berlim.

“Europa, euro, migrantes, é preciso fazer emendas a leis para que nossos interesses, os interesses do povo alemão, sejam considerados”, acrescentou.

Por sua parte, os conservadores de Merkel não duvidam da vitória de sua líder. Este comportamento não apenas provocou uma campanha enfadonha, como também irritou os simpatizantes do AfD, que viram nisso uma nova prova da “arrogância do poder nos últimos anos de Merkel”, segundo a revista Spiegel.

Fiel a seu estilo, a chanceler – que dirige o país há 12 anos – não propôs nada de muito concreto. Simplesmente lançou uma mensagem tranquilizadora de uma “Alemanha onde se vivem bem”, à margem dos riscos externos representados por Donald Trump ou o  Brexit.

Seu adversário, Schulz, não conseguiu convencer ao denunciar as injustiças em um país em pleno crescimento, onde o desemprego está em seu nível mais baixo desde a reunificação.

A perspectiva da chegada da direita nacionalista ao parlamento – algo inédito para um partido desse tipo desde 1945 – gerou também uma série de polêmicas.

O braço direito de Angela Merkel na chancelaria, Peter Altmaier, ganhou várias críticas – inclusive de seu próprio campo – ao declarar que valia mais a pena se abster a votar no AfD.

O ministro social-democrata das Relações Exteriores, Sigmar Gabriel, replicou denunciando uma “capitulação da CDU frente ao populismo de direita”.

Governo Merkel parte IV 

Angela Merkel excluiu governar com os extremos e, nisso, inclui tanto a AfD como a esquerda radical, que disputam o terceiro lugar nas pesquisas.

A opção mais simples em teoria, e sinônimo de continuidade na política alemã, seria repetir uma grande coalizão com os social-democratas.

Outra possibilidade para a chanceler: uma aliança com o partido liberal FDP, que aparentemente vai retornar ao Bundestag depois de ter saído do parlamento em 2013, e com os Verdes.

No entanto, as divergências entre ecologistas e liberais sobre o futuro do diesel ou a imigração serão dificilmente solucionáveis caso se opte por este caminho.

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