Militares de Bangladesh levarão ajuda internacional aos rohingyas

 / AFP / STR

Cox’s Bazar, Bangladesh – As Forças Armadas de Bangladesh facilitarão a chegada de ajuda humanitária aos milhares de integrantes da minoria rohingya, que fogem de Mianmar, acusada pela ONU de executar uma limpeza étnica. As autoridades locais e as organizações humanitárias estão sobrecarregadas com a chegada de refugiados. Em três semanas se formou na fronteira de Bangladesh um dos maiores acampamentos de refugiados do mundo, segundo a Agência da ONU para os Refugiados (Acnur).

Cerca de 400 mil rohingyas chegaram a Bangladesh desde o final de agosto, fugindo de uma campanha de repressão do exército de Mianmar em resposta a ataques dos rebeldes rohingyas.

Saiba mais

  • Ao menos 370 mil rohingyas fugiram para Bangladesh desde agosto

    Ao menos 370 mil rohingyas fugiram para Bangladesh desde agosto

  • Mais de 300 mil rohingyas fugiram para Bangladesh desde 25 de agosto

    Mais de 300 mil rohingyas fugiram para Bangladesh desde 25 de agosto

Os militares de Mianmar são acusados de incendiar as localidades de minoria muçulmana. Segundo testemunhas de refugiados, confirmados pelos relatórios da Anistia Internacional e pela Human Rights Watch, os soldados entram nos povoados e fazem os moradores fugir, sob tiros, para depois incendiar suas casas. Para as ONGs e a comunidade internacional o objetivo é claro: esvaziar esta região do oeste de Mianmar da minoria muçulmana.

“Os soldados queimaram nosso povoado. Quando caminhávamos no barro para chegar à fronteira, só vi povoados reduzidos a cinzas”, conta à AFP Somira, de 29 anos, à beira de uma estrada. “Alguns tentaram dar meia volta para levar o gado, mas já não havia nada. Incendiam tudo para que não a gente não possa encontrar o lugar onde vivíamos”, acrescentou a mulher que chegou a Bangladesh há quatro dias.
Segundo um relatório da Human Rights Watch (HRW) publicado nesta sexta-feira confirma o elaborado pela Anistia Internacional, 62 povoados foram incendiados de maneira intencional pelo exército de Mianmar. “Nossa investigação no terreno confirma o que indicam as imagens via satélite: o exército de Mianmar é diretamente responsável pelo incêndio em grande escala dos povoados rohingyas no norte do estado de Rakain”, declarou Phil Robertson, diretor-adjunto da HRW para a Ásia.
‘O pior dos cenários’ 
A comunidade internacional deve se preparar para o “pior dos cenários”, advertiu na quinta-feira um funcionário da ONU. A minoria muçulmana somaria cerca de um milhão de membros. Entre 10.000 e 20.000 cruzariam diariamente a fronteira. Nesses últimos anos as ondas de violência foram frequentes, mas nunca chegaram a essas proporções. Tratados como estrangeiros em Mianmar, os rohingyas representam a maior comunidade apátrida do mundo.
Desde que perderam a nacionalidade de Mianmar, em 1982, os rohingyas são objeto de numerosas restrições: não podem viajar ou casar sem autorização, não têm acesso ao mercado de trabalho, a escolas nem a hospitais. “A perseguição contra esta minoria muçulmana é inaceitável”, disse na quinta-feira o secretário de Estado americano Rex Tillerson. “Esta perseguição deve cessar, o que muitos descreveram como limpeza étnica deve cessar”. A dirigente do país, Aung San Suu Kyi, no poder desde abril de 2016 depois das primeiras eleições livres em 20 anos, concentra as críticas da comunidade internacional.
Ela prometeu quebrar o silêncio na próxima terça-feira, para quando se prevê um grande discurso. Um exercício perigoso para este ícone da democracia, que personificou a esperança de todo um povo sufocado por mais de 50 anos por uma ditadura militar.
A prêmio Nobel da Paz deve compor com o exército, todo poderoso nesta região do oeste de Mianmar e continua sendo politicamente inevitável já que controla um quarto das cadeiras do Parlamento com deputados designados e não eleitos nas urnas. As Forças Armadas dirigem além dos três ministérios centrais: Defesa, Fronteiras e Interior.
Militares de Bangladesh levarão ajuda internacional aos rohingyas
Rate this post
Menino de 11 anos corta grama da Casa Branca; 'Ótimo trabalho', diz Trump
Brasil é um dos países com maior cobertura de vacinação, mostra relatório