Na fase inicial, cânceres de próstata e mama têm 95% de chance de cura

Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press Maria de Fátima teve câncer e, após tratamento, foi considerada curada

Descobrir que tem câncer é um dos maiores temores de homens e mulheres, independentemente da idade. Em fevereiro de 2008, Admilson Costa, hoje com 33 anos, viveu esse pesadelo. Numa consulta de rotina, resolveu mostrar ao médico um sinal de nascença, que havia crescido no último mês. Uma parte da mancha foi retirada para biópsia. O resultado foi uma notícia assustadora: um linfoma.

O diagnóstico se deu quando o câncer estava muito profundo na pele do coordenador pedagógico: havia evoluído para a forma de quatro nódulos internos na virilha e já estava no sistema linfático. O tratamento foi feito por imunoterapia, um tipo de quimioterapia de defesa, menos agressivo e realizado por meio de injeções subcutâneas. No caso de Costa, três vezes por semana. “Na época, fiquei bem magro. Tenho 1,78 de altura e cheguei a pesar 58kg. Meu cabelo ficou bem fininho”, relembra.

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O tratamento foi cumprido à risca e, com muita fé, Costa conseguiu se curar. “O tratamento é muito doloroso, mas seguiu tudo o que os médicos orientaram: fiz todos os exames, o que pediram para eu parar de comer e beber eu parei, me afastei da faculdade, do trabalho”, relata. Depois de todo esse processo, a vitória foi alcançada. “Hoje, está tudo normal na minha vida, só tenho que tomar alguns cuidados com alimentação e fazer checagem uma vez ao ano”, comemora.

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Segundo o Instituto Oncoguia, existem mais de 200 tipos de câncer. Os tratamentos são diversos, e a cura depende, principalmente, do diagnóstico precoce. Hoje, os métodos mais utilizado são as cirurgias, a quimioterapia e a radioterapia. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2016, foram realizados 26,5 milhões de procedimentos de radioterapia, quimioterapia e cirurgias oncológicas, além dos exames preventivos de mamografias (para câncer de mama) e papanicolau (para câncer de colo de útero). Em 2017, entre janeiro e junho, foram registrados 8,15 milhões de procedimentos.

Segundo dados disponibilizados pelo coordenador-geral de Oncologia do Hospital Santa Lúcia, Fernando Maluf, os cânceres de próstata e de mama, nas fases um e dois, têm um percentual de cura de até 95%, sendo tratáveis, dependendo do caso, com cirurgia ou radioterapia. Os cânceres de pulmão e intestino são curáveis em até 90% dos casos, nas fases um e dois. Ambos são tratáveis com cirurgia, ou radioterapia, no de pulmão. Nenhum desses cânceres têm grandes expectativas de cura na fase quatro. Somente o de intestino apresenta uma taxa de 15% de recuperação. Os outros três não são tratáveis e podem se estabilizar durante anos — a taxa de sobrevida de pacientes com câncer de próstata, de mama e de pulmão na fase quatro é de 10 anos, quatro anos e um ano e meio, respectivamente.
O médico coordenador do setor de Oncologia do Hospital Universitário de Brasília (HUB), Marcos Santos, diz que os diagnosticados com a doença não devem se desesperar. “Temos tratamentos efetivos e com resultados muito bons, temos aumentado nossa chance de curabilidade e de controle da doença. Muitas vezes, nós não conseguimos curar as doenças, mas conseguimos controlar”, afirma.
Maria de Fátima da Silva, 60 anos, descobriu, em 2014, que estava com câncer no colo do útero. O diagnóstico foi feito no início da doença e, com o laudo da biópsia, veio o desespero da família, que já tinha vivenciado um quadro de câncer em outro ente querido. Sem deixar se abater e mantendo a esperança, Fátima iniciou o tratamento na rede pública do DF. Ela fez cirurgia e sessões de radioterapia. “Graças a Deus, consegui ter acesso rápido ao tratamento. Depois de um ano de tratamento intensivo e mais três de acompanhamento, recebi alta oncológica e fui considerada curada”, conta a aposentada.

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Atualmente, 299 serviços estão habilitados em oncologia no Sistema Único de Saúde. Há ainda o oferecimento de oito tipos de medicamentos contra câncer. Está em vigor também o Plano de Expansão da Radioterapia, que prevê a instalação de 100 aceleradores lineares no país. No último dia 20, o HUB recebeu o quarto acelerador. A meta do governo é entregar 27 equipamentos até 2018.

Vida saudável

De acordo com o IBGE, o câncer é a segunda maior causa de mortes no Brasil — sendo responsável por 15,6% dos óbitos —, perdendo apenas para doenças cardiovasculares. Isso se deve, principalmente, à maior exposição aos fatores de risco, como cigarro, alimentação inadequada e abuso do álcool. Para prevenir, é importante praticar atividades físicas e ter alimentação balanceada.
A regra mais importante de prevenção é não fumar. Ao acender um cigarro, são liberadas no ambiente mais de 4.700 substâncias tóxicas e cancerígenas, que são inaladas por fumantes e não fumantes. Segundo o médico Marcos Santos, o tabagismo é responsável por, aproximadamente, 30% dos tumores. Eles acometem principalmente os pulmões, a cavidade oral, a laringe, a faringe e o esôfago.
Alimentação saudável é fundamental para prevenir contra o câncer, devendo ser variada e equilibrada e evitar ao máximo produtos industrializados. Frutas, legumes, verduras, brócolis, couve-flor, couve-de-bruxelas, cereais integrais e feijões são os principais alimentos protetores. Manter o peso corporal adequado por meio da alimentação e da prática de exercícios físicos também é um importante fator. Cerca de um terço de todos os casos de câncer pode ser evitado com alimentação saudável, manutenção do peso corporal adequado e exercícios físicos, principalmente nas mulheres.

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Mais comuns

1. Mama feminino 
O câncer de mama é um tumor maligno que se desenvolve nos seios. Ocorre quando as células adquirem características anormais. Células dos lobos mamários, células produtoras de leite ou dos dutos por onde é drenado o leite podem causar uma ou mais mutações no material genético da célula. Os sintomas incluem um nódulo na mama, secreção com sangue pelo mamilo e mudanças na forma ou na textura do mamilo ou da mama. O tratamento depende da fase da doença. Pode envolver quimioterapia, radioterapia e cirurgia.
2. Próstata 
A próstata é um órgão que faz parte do aparelho reprodutor masculino e produz parte do líquido que forma o sêmen ou “esperma”. O tumor no local é uma consequência da transformação das células dos ácinos, que passam a se proliferar de forma anormal e ganham a capacidade de invadir o órgão. Alguns tipos de câncer de próstata crescem lentamente. Nesses casos, o monitoramento é recomendado. Outros são agressivos e necessitam de radioterapia, cirurgia, terapia hormonal, quimioterapia ou outros tratamentos. Os sintomas incluem ardência urinária, jato fraco da urina e raias de sangue no esperma. Às vezes, porém, não há sintomas.
3. Pulmão
O câncer de pulmão é um tumor caracterizado pela quebra dos mecanismos celulares naturais do pulmão, a partir de estímulos carcinogênicos ao longo dos anos, levando ao crescimento desorganizado de células malignas. Esse tumor pode pegar desde a traqueia até a periferia do pulmão. As causas incluem tabagismo, fumo passivo, exposição a determinadas toxinas e histórico familiar. Entre os sintomas, que aparecem apenas nas fases mais avançadas da doença, há tosse (muitas vezes com sangue), dor no peito, sibilo e perda de peso. Os tratamentos variam de cirurgia ao uso de drogas direcionadas.
4. Intestino 
É um tumor que se desenvolve, na maioria dos casos, no intestino grosso. A doença se desenvolve a partir de pólipos, que são lesões benignas que crescem na parede do intestino. Quando o pólipo é retirado, evita-se que ele se transforme em câncer. Não costumam apresentar sintomas, mas podem ser detectados por exames. 
5. Colorretal
Os sintomas de câncer colorretal dependem do tamanho e da localização do câncer — alguns incluem alterações nos hábitos intestinais e na consistência das fezes, sangue nas fezes e desconforto abdominal. O tratamento depende do tamanho, da localização e da propagação do tumor e inclui cirurgia, quimioterapia e radioterapia.

*Estagiária sob a supervisão de Cida Barbosa.
Na fase inicial, cânceres de próstata e mama têm 95% de chance de cura
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