Nova tecnologia pode ajudar pacientes a reaprenderem a andar

Jean-Baptiste Mignardot/Divulgação Teste do dispositivo robótico: recuperação dos movimentos das pernas

Problemas de saúde como lesões na medula espinhal e acidentes vasculares cerebrais (AVCs) podem gerar uma sequela grave: a perda de movimento das pernas. Nos casos em que há possibilidade de recuperação da capacidade de caminhar, a reabilitação pode ser lenta e exigir muito esforço do paciente. Pesquisadores suíços desenvolveram um dispositivo robótico que conseguiu otimizar esse tratamento. Por meio de uma tecnologia avançada, o aparelho permite que os pacientes possam ser guiados sem o risco de se desequilibrar. Os achados foram publicados na última edição da revista Science Translational Medicine.

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O dispositivo, criado pelos cientistas do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça, é uma espécie de colete que cobre todo o dorso do paciente. Controlado por um computador, o aparelho tem como diferencial um algoritmo, desenvolvido pelos pesquisadores, que consegue avaliar a quantidade ideal de suporte (peso corporal) necessária para que o doente realize seus movimentos.

“O algoritmo usa um mapeamento realizado em mais de 30 pessoas com lesão da medula espinhal ou acidente vascular cerebral, que ajuda a calcular a força necessária para a execução de movimentos em qualquer direção, como ir para a frente e para o lado, a fim de restabelecer as interações naturais entre o corpo e a gravidade”, explicou ao Correio Grégoire Courtine, um dos autores do estudo.

De acordo com os pesquisadores, a precisão dos cálculos evita que o corpo se desloque para trás, o que abalaria a marcha dos passos. “Os tratamentos anteriores, com aparelhos semelhantes, apenas aplicavam forças contra a gravidade. Seus criadores não percebiam que isso pode desestabilizar os pacientes”, ressaltou Courtine.

Nos testes iniciais, o aparelho robótico fez com que 26 pessoas que se recuperavam de lesões na medula e estavam em tratamento conseguissem aperfeiçoar suas habilidades motoras consideravelmente, de forma semelhante a pessoas saudáveis. Cinco pacientes com o mesmo problema de saúde, mas no início da reabilitação, conseguiram dar seus primeiros passos com o uso do equipamento, uma vitória que não foi vista durante exercícios realizados em esteiras equipadas.

Os cientistas acreditam que, no futuro, o aparelho será usado em hospitais e clínicas. “Esse tipo de assistência inteligente pode fazer a diferença no tratamento de pessoas com paraplegia. Por isso, seguimos desenvolvendo uma versão que pode ser comercializada, para permitir que os centros de reabilitação implementem este recurso na sua rotina diária”, adiantou Courtine.

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