Onda de criminalidade toma Santa Catarina e assusta moradores

Policia Civil - SC/Divulgação Na operação, 200 policiais cumpriram 72 mandados de prisão e 57 de busca e apreensão em sete cidades

No segundo dia de operações especiais, a Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou ontem a Operação Hidra de Lerna. O objetivo é enfraquecer a facção Primeiro Grupo da Capital (PGC), apontada como responsável pela quinta onda de atentados no estado. Os ataques se estendem há nove dias e têm como alvo prédios e agentes da segurança pública, mas acabaram atingindo também uma unidade socioeducativa mantida pelo governo e até uma kombi da prefeitura que transportava alunos com necessidades especiais.

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A ação, coordenada pela Divisão de Investigação Criminal (DIC), de Balneário Camboriú, envolve 200 policiais que cumprem 72 mandados de prisão e 57 de busca e apreensão em sete cidades: Balneário Camboriú, Camboriú, Itapema, Navegantes, Penha, Balneário Piçarras e Joinville. Embora os ataques tenham se estendido nos últimos dias, a Polícia Civil do estado ainda não conseguiu desvendar o motivo da onda de crimes, mas suspeita que a ordem tenha partido de dentro dos presídios.

Até a última quinta-feira, a Operação Independência, que uniu o Departamento Especial de Investigações Criminais (DEIC) e o Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco), de Florianópolis, já havia cumprido 100 mandados. Na madrugada de ontem, foi registrado um atentado em Araquari, no norte do estado. O alvo foi uma oficina mecânica onde são consertados veículos da Polícia Militar. Por volta das 2h, dois homens atiraram um coquetel molotov (bomba de fabricação caseira) no galpão. O fogo danificou superficialmente três viaturas.

O secretário-adjunto de Segurança Pública, Aldo Pinheiro D’Ávila, disse que o número de ataques está diminuindo com a repressão policial. “Os ataques são fruto de 30 anos de diminuição dos poderes da polícias e do aumento de tráfico de drogas”, afirmou D’ávila.

Tensão

Desde 31 de agosto, quinta-feira, até ontem, ao menos 23 cidades de Santa Catarina foram alvo de ataques, que tiveram como alvo bases da PM, delegacias, repartições públicas estaduais e municipais e casas de policiais. Houve cerca de 50 ocorrências. Um ônibus foi incendiado em Itajaí. Os ocupantes conseguiram descopá-lo sem se ferir.

Na quinta-feira, um sargento foi ameaçado com arma de fogo em frente a residência às 18h30 em Joinville. Em Criciúma, um carro da PM foi incendiado em uma oficina, pneus foram queimados em uma rua e uma ponte foram destruídas. No dia 1º, em Florianópolis, tiros foram disparados contra uma guarita do centro administrativo do governo e contra uma base da PM, além de ataques contra oito cidades.

No dia seguinte, mais cinco cidades foram atingidas. No dia 3, 10. Na segunda-feira, dois policiais militares foram assassinados, um deles em Joinville e outro em Camboriú. Houve ataques em cinco cidades com artefatos explosivos. Uma kombi da prefeitura que transportava estudantes com necessidades especiais foi incendiada, ferindo um aluno e o motorista.

Quarta-feira, um grupo de suspeitos arremessou três coquetéis-molotovs no pátio do Centro de Atendimento Socioeducativo Provisório (Casep) de Blumenau, no Vale do Itajaí, durante a noite. A Polícia Militar informou que ninguém ficou ferido, mas investiga o caso e aponta que ele pode estar relacionado à onda de ataques que ocorrem no estado desde o último dia 31.

Monstro de várias cabeças

O nome da nova operação faz alusão à mitologia grega. Hidra era um monstro, filho de Tifão e Equidna. Ela possuía várias cabeças e, ao cortar uma delas, outras duas nasciam em seu lugar. Segundo a polícia, isso também ocorre com grupos criminosos. Com a prisão de líderes, novos bandidos assumem o comando das ações.

PM mata amante em SP

Um cabo da polícia militar foi preso em Santa Bárbara d’Oeste (SP) acusado de matar a amante, uma balconista de 29 anos, durante a madrugada de ontem. Lorena Aparecida dos Reis foi assassinada com seis tiros e, pouco depois, o assassino, identificado como Carlos Alberto Ribeiro, confessou o crime. Ribeiro, 36, é casado, mas contou que manteve um relacionamento com a vítima, que deixou um filho pequeno. Preso em flagrante, o policial responderá por feminicídio. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de assassinatos motivados por feminicídio chega a 4,8 para cada 100 mil mulheres. 

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