ONU: Temer diz que na Venezuela não há lugar para alternativas à democracia

 Jewel Samad / AFP O presidente Michel Temer fala durante a 72ª sessão da Assembléia Geral das Nações Unidas, em Nova York

 

Com um amplo discurso, o presidente da República, Michel Temer, abriu nesta terça-feira (19) a sessão de debates da 72ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Da importância do Acordo de Paris a críticas ao protecionismo e às violações dos direitos humanos na Venezuela, o peemedebista percorreu diversos temas em uma fala de quase 20 minutos.  Temer disse que o Brasil deve estar mais aberto ao mundo e preocupado com temas centrais para a agenda internacional, como o programa nuclear da Coreia do Norte, a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e a crise na Venezuela.
O ponto principal da fala de Temer foi sobre as reformas estruturais promovidas no Brasil, que fazem com o que o país consiga superar uma “crise econômica sem precedentes”. “Estamos resgatando o equilíbrio fiscal. E, com ele, a credibilidade da economia. Voltamos a gerar empregos. Recobramos a capacidade do Estado de levar adiante políticas sociais indispensáveis em um país como o nosso”, afirmou. O desemprego  ainda afeta quase 13% da população ativa do Brasil, mas o país começa a se recuperar da maior recessão de sua história. A inflação está cedendo, permitindo que o Banco Central continue reduzindo sua taxa básica de juros. Temer, no entanto, é acusado de liderar uma organização criminosa em seu governo e conta com uma popularidade de apenas 5%.

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Temer iniciou o discurso destacando que o Brasil está na vanguarda do movimento em direção a uma economia de baixo carbono. “A energia limpa e renovável representa mais de 40% de nossa matriz energética. Três vezes a média mundial”, disse, ressaltando que o Brasil é líder em energia hídrica e bioenergia. “O Brasil, senhoras e senhores, orgulha-se de ter a maior cobertura de florestas tropicais do planeta”, afirmou. Após críticas ao decreto que extinguiu a área de reserva ambiental na Amazônia, Temer fez questão de ressaltar que o desmatamento é uma questão que preocupa o Brasil. “Especialmente na Amazônia. Nessa questão, temos concentrado atenção e recursos. A boa notícia é de que os primeiros dados disponíveis já indicam diminuição de mais de 20% do desmatamento naquela região”, disse.

O discurso do peemedebista também enfatizou a importância na discussão de medidas protecionistas no comércio mundial. Sem fazer ênfase à condenação pela Organização Mundial do Comércio (OMC), pela adoção de programas de incentivos na indústria brasileira, Temer disse que, na conferência de Buenos Aires, que será realizada em dezembro, cobrou que as nações discutam o protecionismo na agricultura. “Teremos que enfrentar pendências antigas. Pendências que prejudicam, sobretudo, países em desenvolvimento. Teremos que avançar no acesso a mercados de bens agrícolas. Com a eliminação de subsídios à agricultura, que distorce o comércio”, destacou Temer. Todos os esforços concorrem, reforçou o presidente, para aquele que é o “propósito maior” brasileiro: “assegurar oportunidades para todos em todas as partes”, acrescentou.

Conflitos 

Como era esperado por alguns interlocutores palacianos, Temer também tocou na preocupação com a paz mundial. Com a Coreia do Norte testando armas nucleares, o peemedebista ressaltou a importância com o tratado que assinará amanhã, que prevê a proibição de armas nucleares. “Reiteramos o chamado para que as potências assumam compromissos também. O Brasil se manifesta com autoridade. Abriu mão voluntariamente de possuir armas nucleares” disse.
A própria Constituição Federal, destacou Temer, veda o uso de tecnologia nuclear para fins não pacíficos. O chefe do Executivo Federal destacou que o Brasil é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, em vigor desde 1970. “Há meio século, estabelecemos a desnuclearização na América Latina. Com a Argentina, estabelecemos um mecanismo binacional de salvaguardas nucleares que se tornou referência para o mundo”, disse. Temer ainda cobrou soluções para as guerras civis na Síria, na Líbia, no Iêmen e na República Centro Africana. E também pediu um acordo pelos conflitos entre Israel e Palestina. “O Brasil segue a favor da solução de dois Estados. Que as duas sejam internacionalmente reconhecidas como e mutuamente acordadas”, comentou.

Venezuela

Com a escalada de migração de refugiados em decorrência dos conflitos, Temer destacou que, hoje, o Brasil tem uma das leis de refugiados mais modernas do mundo. Ao citar isso, ele pediu solução pelos conflitos na Venezuela. “Temos recebido milhares migrantes da Venezuela. A situação dos direitos humanos da Venezuela lamentavelmente continua a deteriorar-se. Estamos ao lado do povo venezuelano, a quem nos ligam vínculos fraternais”, disse. Em crítica ao ditador Nicolás Maduro, mas sem citar o nomes, Temer declarou que “não há mais espaço para alternativas à democracia”. “É o que afirmamos na Mercosul, e é o que seguiremos defendendo. O Brasil atravessa momento de transformações decisivas”, declarou.
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