Os 12 anos da era Angela Merkel: a Alemanha como potência europeia

AFP/Christoph Schmidt A chanceler Angela Merkel em evento do partido, em setembro de 2017
Em 22 de novembro de 2005, Angela Merkel deu início ao primeiro de três mandatos consecutivos como chanceler da Alemanha, cargo político mais importante do país. E, atualmente, de toda a Europa. Merkel é considerada por especialistas como a líder de fato da União Europeia e uma das pessoas mais influentes do mundo. Entretanto, mesmo com taxas de aprovação ainda altas, a política, natural de Hamburgo, vem enfrentando dificuldades nos últimos anos e este pode ser o início do fim da era Merkel.
O professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Argemiro Procópio, que já morou e trabalhou na Alemanha, aponta que as tribulações de Merkel têm origem nas recentes políticas divisivas  — e polêmicas — adotadas pela líder, que ganhou o apelido de “Mama Merkel”. Em 2016, o número de pessoas de origem imigrante no país subiu 8,5% e chegou a 18,6 milhões. Os principais descontentes são os partidários e apoiadores da extrema-direita, que rechaçam a política de portas abertas a migrantes e refugiados. Por outro lado, a medida foi vista com bons olhos pelo Papa Francisco e aplaudida pelas igrejas, tanto a Católica quanto a Luterana.
A reprovação está claramente ligada ao receio quanto a atos terroristas, frequentemente registrados na Europa. Para além da polêmica da abertura das fronteiras e das críticas da oposição, Procópio argumenta que o atentado recente em Berlim abalou Merkel, uma líder normalmente serena, na opinião do pesquisador. Esses fatores têm contribuído para o crescimento da representatividade da extrema-direita nas esferas políticas, o que dificulta a composição do governo de Merkel.
Apesar das controvérsias, o professor universitário acredita que a política de portas abertas foi positiva para a Alemanha: “Levou uma população jovem e trabalhadora para um país que estava envelhecendo. Essa população em idade extremamente produtiva vai satisfazer parte das demandas do país”, projeta. 
A economia e o desenvolvimento foram marcos do governo Merkel, conhecido pela prosperidade e estabilidade. Entre as melhorias no país, o professor lembra o crescimento das exportações, o investimento em ciência e tecnologia e a contribuição para a indústria aeronáutica europeia. Segundo Procópio, parte da responsabilidade pelo crescimento da Alemanha está na figura da chanceler, conhecida por ser uma mulher austera e um ícone anticorrupção. 
Além disso, Angela Merkel tem também uma personalidade conciliatória e foi capaz de firmar alianças duradouras, dentro e fora do país. Logo no início do governo, garantiu uma boa relação com o Partido Social Democrático (SPD, em alemão), a sigla tradicionalmente mais oposta à de Merkel, a União Democrata-Cristã (CDU). 
Mais recentemente, a chanceler alemã desenvolveu o que o professor Procópio chama de “excelente relação” com o presidente francês, Emmanuel Macron. O especialista considera essa parceria fundamental para os tempos conturbados que a União Europeia vive, principalmente considerando o Brexit, saída do Reino Unido do bloco. No entanto, apesar das habilidades para costurar alianças, o pesquisador ressalta que Merkel tem uma liderança assertiva. “Ela é um dos poucos líderes mundiais que não diz ‘amém’ a Donald Trump”, brinca.

A vida de Merkel

Nascida em Hamburgo, em 1954, Merkel é filha de um pastor luterano e uma professora de inglês e latim. A família se mudou quando Angela ainda era bebê para a Alemanha Oriental — oficialmente, a República Democrática Alemã (RDA). Lá, mais tarde estudou física na Universidade de Leipzig e, em meados dos anos 1980, obteve o doutorado em física quântica.
A carreira política teve como catalisador a queda do Muro de Berlim. Entre as figuras da antiga RDA, Merkel assumiu uma participação ativa na campanha de unificação da Alemanha.
*Estagiária sob supervisão de Anderson Costolli
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