Presidente da Comissão Europeia defende papel mais forte da UE

Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.(foto: Frederick Florian / AFP)Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. (foto: Frederick Florian / AFP)

 

Estrasburgo, França – O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, afirmou nesta quarta-feira (12/9) que a União Europeia (UE) deve ser um “ator global” em um cenário internacional em transformação, durante um discurso em que apresentou suas propostas para proteger o bloco e frear os populistas.
Seu último discurso sobre o Estado da UE, que segundo ele não foi um balanço de seu mandato iniciado em 2014, representa uma defesa contra as atitudes “unilaterais” no mundo, ante o multilateralismo, e contra os nacionalismos dentro do bloco.
“Sim, somos pagadores globais, mas também temos que virar atores globais”, disse Juncker na Eurocâmara, em Estrasburgo, em um momento “crítico” para o mundo, com um presidente imprevisível nos Estados Unidos, Donald Trump, que não hesita em abandonar acordos de maneira unilateral.
Para alcançar este objetivo, o presidente da Comissão, um veterano político europeu de 63 anos, propõe o fim da exigência de unanimidade entre os 28 para a tomada de decisões sobre política internacional e “reforçar o papel internacional do euro” frente ao dólar.
Sua chegada em 2014 a Berlaymont, sede da Comissão, aconteceu em um contexto diferente, quando a crise econômica apresentava seus últimos efeitos na Eurozona. Suas consequências, como o desemprego ou a dívida pública, persistem, mas a Grécia conseguiu abandonar em agosto quase uma década de programas de resgate.

10.000 guardas de fronteira

Durante seu mandato, as crises aumentaram com a decisão do Reino Unido de abandonar o bloco em 2019 e a chegada de mais de um milhão de migrantes em 2015 à costa europeia. A questão migratória provocou uma grande divergência entre os países do leste e do oeste do bloco, algo que os partidos populistas não hesitam em usar politicamente.
Os partidos anti-UE, de extrema direita, ou antissistema estão no auge em vários países da UE, como demonstraram as eleições recentes na Suécia, na Áustria, ou na Itália. Para estes, Juncker reservou uma mensagem: “O patriotismo é uma virtude, o nacionalismo cego é uma mentira esmagadora e um veneno pernicioso”.
As forças pró-UE no bloco temem que as eleições de maio para a Eurocâmara aumentem as bancadas dos populistas, que concentram seu discurso na oposição à entrada dos migrantes e na defesa do poder nacional em relação a Bruxelas.
Para desativar a questão da migração, e a demanda dos governantes do bloco em uma reunião em junho, o presidente da Comissão Europeia propôs aumentar para 10.000 o número de agentes da Guarda de Fronteiras e Costas europeias até 2020 e acelerar o retorno dos migrantes.
A África, de onde procede a maioria dos migrantes econômicos que chegam à costa europeia, é outra de suas prioridades. Juncker propôs a construção de uma “nova aliança” intercontinental com o objetivo de criar até 10 milhões de empregos nos próximos cinco anos no continente africano.
A pouco mais de seis meses da saída dos britânicos do bloco, o presidente da Comissão, poliglota, falou em inglês para advertir que o Reino Unido não poderá conservar parte de seu acesso ao mercado único europeu após março.
Em meio a diversos anúncios e desejos, Juncker voltou a citar o plano para acabar com a obrigação de mudança de horário na UE (adiantar uma hora no verão e retornar 60 minutos no inverno), uma medida que gerou expectativa, mas que pode demorar anos para ser aplicada.
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