Republicanos rejeitam candidato de Trump em primária no Alabama

Drew Angerer/Getty Images/AFP

Washington, Estados Unidos – O presidente americano, Donald Trump, sofreu um tropeço na terça-feira (27/9) à noite nas primárias para o Senado federal no estado do Alabama, onde seu candidato foi rejeitado pelos republicanos, em uma disputa que terá consequências em nível nacional.

Apoiado por Trump, o senador Luther Strange foi derrotado pelo magistrado ultraconservador Roy Moore, que recebeu o apoio de Steve Bannon, o assessor estratégico do presidente obrigado a entregar seu cargo na Casa Branca em agosto.
Moore obteve 54,9% dos votos, contra 45,1% para Strange, senador nomeado temporariamente em fevereiro para ocupar uma cadeira vazia e candidato oficioso do Partido Republicano e dos “caciques” do Congresso. “Obrigado a vocês, esta noite o ‘establishment’ foi derrotado em Alabama!”, comemorou o vencedor no Twitter.
Trump virou a página rapidamente, apagou os tuítes de apoio a Strange e felicitou Moore. “Felicitações a Roy Moore por sua vitória na primária republicana”, escreveu Trump no Twitter.

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“Conversei durante a noite com Roy Moore pela primeira vez. Parece um cara muito bom e fez uma campanha fantástica”, escreveu nesta quarta-feira, depois de lhe pedir que vença, em 12 de dezembro, o candidato democrata na disputa pelo Senado. “Não deixem que a imprensa diga que eu não apoio o presidente apenas porque ele apoiou meu adversário”, disse Moore na terça-feira em seu discurso da vitória.

Paradoxalmente, o ex-assessor estratégico da Presidência Steve Bannon fez campanha contra o candidato do presidente para salvar o “Trumpismo”, já que Moore – um herói local da direita religiosa e polêmico magistrado ultraconservador – era o favorito de figuras “trumpistas” como o ex-conselheiro Sebastian Gorka e a ex-candidata à vice-presidência Sarah Palin.
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Antecipando a derrota, Trump se questionou se havia tomado a decisão certa: “Para ser honesto, provavelmente cometi um erro”, disse na sexta-feira. “Se Luther não vencer, vão dizer que o presidente dos Estados Unidos não foi capaz de fazer seu candidato ganhar. É terrível, um terrível momento para Trump”, completou. “Se o seu adversário ganhar, farei campanha por ele como nunca”, indicou.
A cruzada de Bannon 
A disputa foi mais uma batalha de personalidades do que ideológica. Nenhum dos dois candidatos correspondia ao perfil “trumpista” típico, embora ambos defendam o presidente.
Luther Strange é um conservador clássico, político de carreira, que não é rebelde e prometeu lealdade ao magnata republicano. Já Ray Moore reitera que Strange será uma marionete do chefe da maioria no Senado, Mitch McConnell, inimigo declarado de Bannon.
O ex-assessor declarou guerra aos republicanos que, segundo ele, querem manter o status quo e desviar o programa populista de Donald Trump. Para exemplificar, mostra a batalha quase perdida no Congresso de derrogar a lei de cobertura de saúde de Barack Obama, por conta das deserções republicanas, e a resistência ao projeto de construção do muro na fronteira com o México.
“Supõe-se que os partidários fiéis de Trump não o desafiem. Estamos aqui para apoiá-lo. A melhor maneira de conseguir isto é eleger alguém que defenderá o presidente”, explicou Bannon à emissora Fox News na noite de segunda. “As elites me desprezam”, disse o novamente coordenador do site Breitbart.
“Acham que sou ruim, que sou perigoso. Levo esse desprezo como um símbolo de orgulho. Eles ajudaram a destruir esse país. Cometeram um crime econômico contra os trabalhadores e as trabalhadoras do coração deste país”, acrescentou.
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