Saiba como será a missão da Nasa que enviará sonda até o Sol

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Os relógios da Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) estão em contagem regressiva. Na madrugada deste sábado, às 3h33 (4h33 de Brasília), uma sonda do tamanho de um carro compacto será lançada desde Cabo Carnaveral, na Flórida, em uma missão histórica. Nenhum instrumento feito na Terra chegou tão perto do astro-rei quanto se espera que ele o fará. Depois de 60 anos de planos, pesquisas e expectativas, enfim uma obra humana “tocará” o Sol.
Quando o Parker Solar Probe decolar a bordo do foguete Delta IV-Heavy, uma nova era de pesquisa espacial será inaugurada. Não apenas pelo trajeto, que, por si, já é uma aventura e tanto. Da Terra ao centro do Sistema Solar, a nave de 612kg e 2,8m terá de viajar a uma velocidade que chegará a 693.000km/h — equivalente à ida de Brasília a Pirenópolis (GO) em um segundo — para, finalmente, alcançar o ponto mais próximo do Sol daqui a 6 anos e 11 meses. Nessa data, espera-se que a sonda atinja uma região da coroa distante 6 milhões de quilômetros do núcleo da estrela. Isso é sete vezes mais próximo dela que qualquer outra nave terrestre já chegou. Nesse ponto, a Parker enfrentará um calor de 1,4 mil graus Celsius. Durante sete anos, a sonda dará 24 voltas por essa atmosfera causticante.
Mas o que faz da missão uma das mais esperadas pela comunidade científica é o fato de que ela poderá responder a algumas das mais desafiadoras questões a respeito do Sol. “A nave é equipada com grandes novidades tecnológicas que resolverão alguns dos maiores mistérios sobre nossa estrela, incluindo descobrir por que a coroa solar é tão mais quente que sua superfície”, explica Nicola Fox, astrofísica da Universidade de Johns Hopkins que integra a missão. Enquanto a temperatura da fotosfera, camada de gás que forma o disco visto da Terra, é de cerca de 5,5 mil graus Celsius, na coroa, ela cai 300 vezes. Em uma teleconferência de imprensa, Fox comentou que essa característica é um desafio às leis da natureza: é como se quanto mais afastado de uma fogueira, mais uma pessoa sentisse calor.
Outra importante questão que afeta a Terra diretamente são os ventos solares, um fenômeno descrito em 1958 pelo astrofísico Eugene Parker — que emprestou seu nome à missão — em um artigo divulgado na revista Astrophysical Journal. No texto, ele previu a existência de uma corrente supersônica de partículas altamente carregadas, jorradas a todo momento do Sol. Curiosamente, dois revisores técnicos da revista rejeitaram o trabalho, alegando cálculos matemáticos errados. Porém, o editor passou por cima das normas e o publicou mesmo assim. Ontem, Parker, 91 anos, esteve presente na teleconferência da Nasa, acompanhando os últimos preparativos para a decolagem.
Desde a publicação do artigo, não restam dúvidas de que o vento solar não só existe como afeta, na Terra, satélites, GPS e ainda pode colocar em risco a vida de astronautas no espaço. Mas ninguém sabe explicar sua origem nem dizer por que, ao atingir a Terra, ele chega em uma velocidade absurdamente rápida. “Essa é uma missão que vem sendo preparada há 60 anos. Tivemos de esperar muito para que a tecnologia alcançasse nossos sonhos”, comenta Fox. “A única forma que temos de entender os mistérios do Sol é ir até lá e tocá-lo.”

Escudo de carbono

Para que isso aconteça, Parker vai decolar, na madrugada de sábado, entre as 3h33 (horário local) e 4h48. Ele fará a primeira parada em Vênus daqui a seis semanas: a força gravitacional do planeta ajudará a colocá-lo na rota do Sol. Equipada com instrumentos desenvolvidos especialmente para a missão, a nave mandará informações continuamente à Terra nos seis anos de viagem rumo à estrela.
O calor será superado por um “guarda-chuva”, como compara Andrew Driesman, gerente de projeto do Laboratório de Física Aplicada de Johns Hopkins. “Trata-se de um escudo de carbono muito fino, que levou 10 anos para ser desenvolvido e oito meses para ser construído. O carbono é o material mágico”, afirma, referindo-se ao fato de que esse elemento é um pobre condutor de calor. O instrumento também conta com resfriadores para lidar com os raios solares que funcionam à semelhança dos existentes em carros domésticos. O chamado Sistema de Proteção Termal deverá manter a nave na temperatura de 30ºC.
Os primeiros dados coletados pelo Probe devem chegar à Terra em dezembro, um mês depois do primeiro encontro próximo do Sol. O ponto mais perto da estrela, contudo, só acontecerá daqui a sete anos. “Todos os dados que temos até agora sobre a coroa solar foram obtidos remotamente. Temos sido muito criativos para obter o máximo possível desses dados, mas não há nada como colocar uma sonda na coroa para ver o que está acontecendo por lá”, diz a física solar Nicholeen Viall, que participa da missão.

Chuva de meteoros

Na madrugada de segunda-feira, será possível assistir à chuva de meteoros Perseidas, com cerca de 60 a 70 rastros luminosos por hora, embora seja possível chegar a 150-200, como ocorreu em 2016. Como a lua estará crescente, será mais fácil observar o fenômeno que, no Brasil, será visto melhor nas regiões Norte e Nordeste. Em Brasília, o horário mais apropriado para abrir as janelas será às 3h.
Saiba como será a missão da Nasa que enviará sonda até o Sol
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