Sedentarismo: falta de caminhada impacta mais as mulheres

Josep Lago /AFP O estudo foi feito pelo monitoramento de passos via celular: cientistas sugerem o uso da tecnologia
Devido às diversas funcionalidades, os smartphones se tornaram companheiros inseparáveis de grande parte da população mundial. Esse casamento moderno serviu de base para cientistas norte-americanos que tinham o intuito de avaliar um hábito que tem perdido espaço no nosso dia a dia: o de caminhar. Pesquisadores da Universidade de Stanford incorporaram uma tecnologia a telefones móveis de 717.527 pessoas e conseguiram medir a quantidade de passos dados por elas. Observaram que, em todas as 46 nações analisadas, a obesidade aumenta mais rapidamente nas mulheres do que nos homens à medida que a atividade diminui.

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De acordo com os autores do estudo, publicado na última edição da revista britânica Nature, 5,3 milhões de pessoas morrem a cada ano por complicações associadas ao sedentarismo, e medidas mais amplas de análise da obesidade precisam ser consideradas pelos gestores públicos, como a infraestrutura das cidades para estimular a prática de atividades físicas.

Para o experimento, os celulares dos participantes foram equipados com sensores minúsculos, chamados acelerômetros, que gravaram automaticamente os movimentos exercidos pelos donos dos aparelhos ao longo de, em média, 95 dias.  Outros dados importantes para a análise, como idade, sexo, altura e peso dos monitorados, foram obtidos por meio de um estudo anterior chamado Azumio Argus. Com eles, os investigadores conseguiram calcular, por exemplo, o índice de massa corporal (IMC) dos voluntários.
Estudos anteriores sobre peso já haviam mostrado que homens caminham mais do que as mulheres, o que foi confirmado na investigação global mais recente. A nova análise trouxe ainda que, quando elas caminham menos, ganham mais peso com facilidade e, consequentemente, as outras complicações. “As conexões negativas ligadas à obesidade podem afetar as mulheres de forma mais ampla”, declarou, em comunicado à imprensa, Jure Leskovec, pesquisador da Universidade de Stanford e principal autor da investigação.
Conforme os resultados, os Estados Unidos são o país com maior número de pessoas obesas, seguidos pela Arábia Saudita e a África do Sul. Nesse quesito geral, o Brasil ocupa a 11ª posição. Em relação à diferença de prática de atividade física entre homens e mulheres, o Catar é o líder, seguido da Arábia Saudita e da Malásia. O Brasil ocupa a 13ª posição. Em cada país participante, foram monitorados ao menos mil voluntários.
Novo preditor
Para entender melhor as causas e as consequências da desigualdade da atividade em ambientes urbanos, os pesquisadores também analisaram um subconjunto de dados que englobavam características estruturais de 69 cidades norte-americanas. Eles concluíram que as cidades projetadas de forma mais acessível aos pedestres tinham habitantes com maiores índices de caminhada.
O hábito foi constatado independentemente da idade, do gênero e do IMC do participante. Os autores defendem que a tecnologia seja usada em outros experimentos da área. “Isso abre a porta para novas formas de fazer ciência em uma escala muito maior”, ressaltou Scott Delp, um dos autores do estudo e pesquisador de Stanford. O grupo também defende que a disparidade da distribuição de atividade física dentro de um país e a capacidade de caminhada em suas cidades são melhores preditores da prevalência de obesidade em uma população do que o volume médio de atividade praticada.
Sedentarismo: falta de caminhada impacta mais as mulheres
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