Substância presente no tomate pode combater o câncer de pele

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press Segundo especialistas, o resultado reforça a importância de uma dieta equilibrada na prevenção de tumores

Um dos frutos mais produzidos e consumidos no mundo tem potencial para combater o câncer de pele. Pesquisadores norte-americanos realizaram experimentos com roedores e observaram que animais alimentados com tomate apresentaram menos tumores cancerígenos de pele ao serem expostos à luz ultravioleta (UV). Os especialistas ainda não conseguiram desvendar o que provoca esse efeito, mas acreditam que o carotenoide, substância presente no alimento natural e responsável pela coloração vermelha dele, está por trás disso. Segundo a equipe, o achado poderá ser utilizado para potencializar o tratamento e a prevenção à doença.

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O estudo, publicado recentemente na revista Scientific Reports, foi realizado com base em investigações conduzidas na Alemanha. Nesses experimentos, voluntários que comeram alimentos ricos em carotenoides, como pasta de tomate, durante 10 semanas e, depois, foram expostos a uma dose de raios UV sofreram menos irritação (vermelhidão) na pele do que os participantes que não seguiram a dieta proposta. “Isso demonstra que comer tomates pode alterar a inflamação da pele após uma queimadura solar. Essa foi uma interessante observação biológica. Achamos o tema interessante e resolvemos investigar por que esse alimento parece fornecer esse tipo de proteção, algo que ainda não foi bem compreendido”, explica ao Correio Jessica Cooperstone, uma das autoras do novo estudo e pesquisadora da Universidade do Estado de Ohio.
No experimento, os pesquisadores alimentaram ratos com uma dieta que continha 10% de pó de tomate durante 35 dias. Após essa etapa, os roedores foram expostos aos raios UV. “Usamos um modelo de carcinoma de queratinócitos, anteriormente denominado de câncer de pele não melanoma”, diz Cooperstone. Os tumores de pele não melanoma são os mais comuns mundialmente e também no Brasil.
Arte/Cb/DA Press

Os camundongos machos alimentados com tomates vermelhos desidratados apresentaram reduções no crescimento tumoral em até 50%, quando comparados às cobaias que não seguiram a dieta. A equipe acredita que o efeito pode ter sido causado pelo carotenoide, mas não descarta a ação de outras substâncias. “Ao comparar o licopeno (carotenoide presente no tomate) administrado a partir de um alimento completo (tomate) e um suplemento sintetizado, os tomates parecem mais eficazes na prevenção de vermelhidão após a exposição aos raios UV, sugerindo que outros compostos presentes nesse fruto também podem estar em jogo e influenciar nessa proteção”, explica a cientista.

As fêmeas participantes do experimento não tiveram o mesmo benefício. Segundo Tatiana Oberyszyn, autora principal do estudo e professora de patologia e membro do Centro Compreensivo de Câncer do Estado de Ohio, a equipe não conseguiu identificar a razão dessa diferenciação. “Esse estudo nos mostrou que precisamos considerar o sexo ao explorar diferentes estratégias preventivas. O que funciona nos homens nem sempre funciona tão bem nas mulheres, e vice-versa”, ressalta, em comunicado.

Mais perguntas

Para a equipe, a pesquisa despertou outros questionamentos, e eles definiram seguir o caminho da prevenção. “Não tenho certeza se esses dados podem gerar novas drogas, e meu interesse é principalmente em alimentos. Não acho que os alimentos são remédios e é improvável que eles possam curar enfermidades. Mas, durante toda a vida, penso que o que comemos tem a capacidade de modular nosso risco de desenvolver doenças. Eu acho que precisamos de mais trabalhos para entender mecanicamente como isso está acontecendo”, justifica Cooperstone.
Renato Sabbag, oncologista do Hospital Brasília, avalia que a pesquisa norte-americana traz dados importantes e também mais perguntas do que respostas. “Sabemos que uma dieta rica em folhas e vegetais ajuda a evitar uma série de tipos de câncer, não só o de pele. Porém, esses resultados foram vistos em ratos, não tem como sabermos se o mesmo pode se repetir em humanos. Mas, ainda assim, é importante. Temos diversos estudos que renderam opções terapêuticas usadas hoje e que passaram por essa etapa, que pode abrir novas perspectivas de investigação”, ressalta.
O oncologista destaca ainda que o trabalho vai precisar se aprofundar em pontos específicos para esclarecer melhor a investigação. “Em relação aos resultados positivos, também temos que responder a outras perguntas sobre eles. Por exemplo, se o tomate pode proteger, qual a quantidade ideal por dia? Qual tipo de tomate? Qual a quantidade de radiação a qual estaremos protegidos?”, enumera. “Em questão à diferenciação nos sexos, temos várias hipóteses que podem ser abordadas. A espessura da pele do macho e também os componentes hormonais podem ter ligação.”
Sabbag faz um alerta em relação às interpretações do estudo. “É preciso deixar claro que esses resultados são muito precoces. É importante frisar isso porque pode provocar um consumo exagerado desse alimento em busca de seus benefícios. Apesar dele não fazer mal, é um produto natural, não é bom consumir nada em excesso”, frisa.

Letalidade baixa

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca) esse tipo de tumor corresponde a 30% de todos os cânceres malignos registrados no país. Apresenta altos percentuais de cura, se for detectado precocemente, e é mais comum em pessoas com mais de 40 anos. Pessoas de pele clara, sensível à ação dos raios solares ou com doenças cutâneas prévias são as principais vítimas. A estimativa é de que, no ano passado, foram diagnosticados 175.760 casos da doença,  sendo 80.850 em homens e 94.910 em mulheres.
Substância presente no tomate pode combater o câncer de pele
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