Tiroteio deixa um morto e três feridos durante plebiscito na Venezuela

AFP / Juan BARRETO

Uma mulher morreu, e outras três pessoas ficaram feridas, neste domingo (16/7), quando homens de moto atiraram em opositores que votavam no oeste de Caracas em um plebiscito simbólico contra a Assembleia Constituinte convocada pelo presidente Nicolás Maduro – informou o Ministério Público.

“Está-se investigando a morte de Xiomara Escot e três feridos, fato ocorrido durante situação irregular” no populoso bairro de Catia, anunciou um boletim do MP.

Vídeos divulgados pela imprensa mostram uma multidão fugindo, entre gritos de pânico e detonações, para tentar se abrigar em uma igreja próxima ao posto de votação atacado.

Dirigentes da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) condenaram o episódio e responsabilizaram “grupos paramilitares”. Segundo eles, esses grupos seriam ligados ao governo Maduro.

“Não tinha acontecido nada sério, nada grave, nenhuma tragédia a lamentar, mas Maduro e seu regime viram uma participação em massa no plebiscito e se apavoraram”, declarou em entrevista coletiva a ex-deputada da oposição María Corina Machado, ao responsabilizar o presidente.

“Esses grupos paramilitares agiram à vontade, sem que os corpos de segurança civis e militares agissem”, denunciou.

O prefeito de Sucre, Carlos Ocariz, pediu ao MP “no curto prazo, já, uma investigação para determinar responsáveis e, claro, punir esses responsáveis”.

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa (SNTP) também denunciou que o jornalista Luis Olavarrieta foi retido por desconhecidos, agredido e roubado durante os incidentes. Ele teria sido levado para um centro de saúde.

Sem consequências jurídicas 

Mais cedo, o poder eleitoral da Venezuela pediu à liderança opositora que evite criar “falsas expectativas” com o plebiscito simbólico que realiza neste domingo contra o presidente Nicolás Maduro e sua convocação de uma Assembleia Constituinte.

“É uma atividade política que não tem consequência jurídica. O importante aqui é que não se criem falsas expectativas, tampouco se gere nenhuma tentativa de violência”, expressou a presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena, em entrevista coletiva.

Sem o aval do CNE, que acusa de servir a Maduro, a oposição convocou a consulta com a meta de mostrar um repúdio majoritário à Constituinte, que, segundo pesquisas privadas, é rejeitada por sete em cada 10 venezuelanos.

“Eles podem perguntar o que quiserem, porque é um exercício político. O que não se pode é confundir, fazendo pensar que isso possa ter algum valor jurídico”, assinalou Tibisay.

A coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) afirma que o plebliscito será o marco zero de uma escalada em seus protestos contra Maduro a fim de bloquear a Constituinte, cujas eleições estão marcadas para o próximo dia 30.

O CNE organizou, paralelamente ao plebiscito opositor, uma simulação do processo para escolher os 545 constituintes, do qual a oposição se negou a participar, por considerá-lo “uma fraude” do presidente socialista para instaurar “uma ditadura”.

Tibisay expressou que estão sendo testados o mecanismo eleitoral e as medidas de segurança propostas para “realizar o exercício do voto sem riscos”, ante os chamados dos adversários de Maduro para se bloquear o processo.

A funcionária ratificou que haverá “sanções de acordo com a lei” para quem tentar bloqueá-lo.

Maduro afirma que a Constituinte é “o único caminho para a paz”, em meio à grave crise política e econômica no país sul-americano.

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