Transporte é o quarto pior problema urbano, diz pesquisa

Arquivo NTU Para 12,4% dos entrevistados, o transporte de má qualidade é o principal problema das cidades

São Paulo – O transporte figura entre os principais problemas urbanos percebidos nos municípios brasileiros, atrás da falta de segurança, da saúde e do desemprego. O dado faz parte de uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (30/8), durante o Seminário Nacional NTU 2017 & Transpúblico, realizado em São Paulo. O levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT) e da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) buscou identificar os padrões de mobilidade urbana no país e apurar a opinião dos entrevistados sobre o setor.
O diretor técnico da NTU, André Dantas, explicou que os transportes estão entre os piores problemas urbanos para 12,4% dos entrevistados, enquanto a falta de segurança das cidades lidera o ranking com 67,8% das citações. Saúde (51,5%) e desemprego (36,6%) completam a lista. O preço das passagens é a reclamação mais recorrente entre os passageiros (64,5%), conforme a pesquisa realizada entre 12 e 23 de junho deste ano, com 3,1 mil entrevistas. Falta de segurança (55%) e de conforto (44,9%), além do elevado tempo de viagem (28,8%) também são fatores que geram queixas entre os usuários de transportes urbanos.
Dantas afirmou que houve uma queda significativa na demanda. “Hoje, 59% dos passageiros utilizam o transporte numa frequência diária. Esse índice já foi de 70%. Mais de 16% dos entrevistados simplesmente deixaram de usar transporte coletivo e 22,1% reduziram parcialmente”, disse. Ao investigar quais meios de mobilidade substituíram os coletivos, a pesquisa verificou que 35% substituíram por carro próprio, e aí estão as classes mais favorecidas, enquanto 29% trocaram por transporte a pé, no caso dos mais pobres; 7,9% passaram a usar bicicleta e 7,8%, motos.
O levantamento revelou, ainda, que 62% das pessoas que deixaram de usar transporte coletivo estariam dispostas a voltar caso a passagem fosse reduzida em até R$ 1. Se a tarifa ficasse acima de R$ 1 mais barata, esse índice subiria para 75%.
Arquivo NTU 62% das pessoas que deixaram de usar transporte coletivo estariam dispostas a voltar caso a passagem fosse reduzida em até R$ 1

 

Para o presidente da NTU, Otávio Cunha, os dados provam que as redes de transporte existentes no país não atendem à população. “Há muitos problemas. Falta flexibilidade de rotas e horários e as tarifas são altas. Mas o setor enfrenta dificuldades há 18 anos”, disse. Nesse período, o diesel, combustível dos ônibus, subiu 196% acima da gasolina e 194% acima do índice oficial de inflação, o IPCA, explicou Cunha. “O ônibus disputa espaço com os carros de passeio, que ocupam 70% das vias e transportam apenas 20% das pessoas. Essa lógica precisa mudar. É necessário investir em corredores exclusivo para reduzir o tempo de viagem e, com isso, baixar os custos e as tarifas, para atrair demanda”, defendeu.
Cunha alertou que a produtividade do setor de transporte urbano caiu 37% em 18 anos, período em que 27 milhões de pessoas deixaram de usar os coletivos. “O endividamento médio das empresas é de 33%, a mão de obra recuou 5% em dois anos e, entre 2014 e 2016, 16 empresas faliram e outras 40 fecharam as portas”, destacou. Entre os problemas de rentabilidade do setor, Cunha assinalou que as gratuidades para passageiros idosos e estudantes representam um aumento na tarifa de 17%. “O usuário financia uma política social”, afirmou.
Dentre as medidas para dar mais produtividade ao setor de transporte, o presidente da NTU citou uma nova planilha tarifária, que permitirá um cálculo mais exato e dará transparência. “Vamos acabar com a caixa preta das empresas de transporte”, prometeu. “Os empresários não querem apenas lucros. Querem equilíbrio econômico-financeiro”, defendeu.
* Repórter viajou a convite da NTU
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