Tribunal Supremo do Quênia ordena novas eleições presidenciais

Simon Maina / AFP - 8/8/2017

Nairóbi, Quênia – O Tribunal Supremo do Quênia, ao qual a oposição recorreu, ordenou nesta sexta-feira (1/9) novas eleições presidenciais, ao declarar “inválido” o resultado da votação de 8 de agosto que deu a vitória ao atual presidente, Uhuru Kenyatta. “As eleições presidenciais não aconteceram de acordo com a Constituição”, declaro o presidente do tribunal, o juiz David Maraga. 

“Quanto à questão de saber se as ilegalidades e irregularidades afetaram a integridade da eleição, o Tribunal opina que sim”. Kenyatta, que enfrentou Raila Odinga nas urnas, “não foi eleito e declarado presidente de maneira válida”, completou o juiz.

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Do lado de fora do Tribunal Supremo, que tinha um grande esquema de segurança nesta sexta-feira, os simpatizantes de Odinga comemoraram a decisão. O presidente do tribunal citou irregularidades na transmissão dos resultados.

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“Este é um dia histórico para a população do Quênia e, portanto, para a população do continente africano”, declarou Odinga após o anúncio, ao recorda que esta é a primeira vez que um tribunal invalida eleições presidenciais na África. Ele disse ainda que “não confia” na atual Comissão Eleitoral e que uma nova equipe deve ser formada para as próximas eleições, previstas para acontecer no prazo de 60 dias, segundo a decisão do tribunal. 
Kenyatta, de 55 anos, eleito pela primeira vez em 2013, havia sido proclamado vencedor pela Comissão Eleitoral (IEBC) em 11 de agosto com 54,27% dos votos, contra 44,74% de Odinga (72 anos), que já havia sido derrotado nas eleições de 1997, 2007 e 2013.
O opositor recorreu ao Tribunal Supremo em 2013, mas a impugnação não prosperou na corte. Após a proclamação da vitória de Kenyatta, o país teve dois dias de violência nos redutos da oposição, nos subúrbios de Nairóbi e na região oeste. Ao menos 21 pessoas morreram nas manifestações e distúrbios, reprimidas pela polícia. 
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