Vacina contra o zika pode proteger contra vírus e evitar microcefalia

Christophe Simon/AFP - 28/1/16 O primeiro trimestre da gestação é o com maior risco de ocorrência da microcefalia: testes com humanos estão previstos para 2019
Uma vacina pode bloquear a ação do vírus zika durante a gestação, além de proteger o feto de complicações como a microcefalia. A nova tecnologia foi desenvolvida por cientistas do Instituto Evandro Chagas, no Rio de Janeiro, em parceria com pesquisadores norte-americanos, e testada em macacos. Os resultados, detalhados na última edição da revista Nature Communications, são promissores: filhotes de fêmeas contaminadas não nasceram com a malformação congênita. A equipe também detectou indícios de que o micro-organismo provoca esterilidade em machos.
A fórmula testada foi desenvolvida por meio de uma tecnologia que utiliza o vírus vivo atenuado. Com apenas uma dose, conseguiu-se estimular o sistema imunológico das cobaias, protegendo-as do patógeno. A mesma quantidade aplicada no início de gestação evitou o contágio dos fetos — condição avaliada na oitava semana de gravidez. Estudos têm sinalizado que o primeiro trimestre da gestação é o período de maior risco para o bebê.

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As análises com animais foram realizadas no Instituto Evandro Chagas, na Universidade do Texas e na Universidade de Washington. Em todos os experimentos, a equipe utilizou primatas não humanos e camundongos que, após vacinados, foram expostos ao zika. Do grupo de controle (não vacinados) de ratos, as fêmeas sofreram aborto por conta da exposição ao vírus ou seus filhotes nasceram com microcefalia e outros danos neurológicos. Os testes da fórmula em humanos estão previstos para 2019.

Esterilidade

Análises feitas pela equipe com ratos machos indicaram um outro comprometimento da infecção: ela pode causar a esterilidade. Cobaias tiveram uma redução considerável na quantidade de espermatozoides e no tamanho dos testículos. Além disso, os gametas produzidos ficaram praticamente imóveis, com a mobilidade bastante comprometida. Aplicada, a vacina conseguiu evitar a atrofia testicular dos camundongos. O experimento não foi feito com macacos.
A equipe destaca que a descoberta é importante, mas precisa ser mais explorada. “Há uma preocupação de que esse achado evidencie que possa ocorrer um impacto similar entre os seres humanos. Contudo, ainda não há nenhum estudo que demonstre isso”, ressaltou, em comunicado, Pedro Vasconcelos, diretor do Instituto Evandro Chagas (IEC), e um dos autores do estudo científico.
Vasconcelos destacou ainda que a capacidade de engravidar as fêmeas após os comprometimentos pela infecção pelo zika não foi avaliada, o que limita a compreensão sobre o fenômeno. “Estamos iniciando um novo experimento para verificar o impacto da esterilidade na copulação dos animais. O que se sabe é que há uma grande quantidade de vírus na excreção do esperma, que significa que o vírus tem bastante capacidade de se replicar, causando a destruição das células, o que resulta em diminuição dos testículos e, consequentemente, na esterilidade.”

Evidência anterior

Um estudo publicado por cientistas da Universidade de Washington na revista britânica Nature, no ano passado, mostrou que, em roedores, o contágio do zika causa a redução de testículo e de dois hormônios sexuais ligados à produção do esperma, a testosterona e a inibina B. O vírus foi detectado no testículo e no epidídimo (tubo que armazena e transporta o esperma) das cobaias sete dias depois da contaminação. Após 14 dias, o patógeno estava em níveis elevados em todo o sistema reprodutivo dos machos. Testes preliminares indicaram redução nas taxas de gravidez em fêmeas colocadas em contato com esses animais.
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