Brasil fica atrás da Venezuela no ranking de desenvolvimento humano

(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Apesar de não ter registrado queda no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) global, o Brasil continua sendo um país com muitas desigualdades, principalmente, de renda e de gênero, conforme o levantamento anual divulgado nesta sexta-feira (14/09) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Em 2017, o país ficou na 79ª classificação, a mesma desde 2015, com índice de 0,759, dado 0,001 superior ao registrado em 2016 e acima da média mundial, de 0,728. Contudo, o país ficou atrás dos vizinhos da América Latina, como Chile (em 44º lugar), Argentina (47º), Uruguai (55º), Cuba (73º) México (74º) e, inclusive,  Venezuela (78º).
Para Kaizô Beltrão, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), o fato de até a Venezuela estar à frente do Brasil levanta dúvidas sobre o quanto os dados são realmente fidedignos da crise que assola o país vizinho, onde 3,7 milhões de pessoas já imigraram. “Os números do IDH devem estar defasados, mas é importante lembrar que, quando o preço do petróleo estava bastante elevado, algumas medidas sociais adotadas quando o dinheiro sobrava para o governo, como vacinação, podem ainda  estarem surtindo algum efeito”, ponderou. “Os indicadores são relativos. Daqui para frente, o Brasil, a Argentina e a Venezuela ainda podem cair mais nos próximos anos se outros países melhorarem bem mais”, destacou.
“Esse índice não muda radicalmente de um ano para outro, tanto o padrão educacional quanto a esperança ao nascer. Mas uma parte dessa estagnação é resultado da recessão, porque a renda per capta caiu e, se não houvesse esse crescimento pífio próximo de zero no ano passado, possivelmente, o país teria melhorado de posição”, avaliou o economista Simão David Silber, professor da Universidade de São Paulo (USP). Ele lembrou que a renda média do brasileiro caiu 9% no auge da crise, em 2016, e, como o país cresceu 1% no ano passado e deverá crescer 1,5% este ano, “a renda per capita está 7% a 7,5% menor do que a de 2014”.
O IDH mede o progresso dos países em três dimensões básicas do desenvolvimento humano: saúde, educação e renda. Quanto mais o índice ficar próximo de 1,0, maior o nível de desenvolvimento de cada economia pesquisada. 
Conforme os dados do estudo do Pnud, o Brasil avançou levemente na expectativa de vida de 75,5 anos para 75,7 anos entre 2016 e 2017, mas manteve a media de anos de estudo estável em 7,8 anos no mesmo período. A renda anual per capita medida pelo poder de paridade de compra (ppp) passou de  US$ 13.730, em 2016, para US$ 13.755 , em 2017, mas ainda ficou abaixo dos US$ 14.350 de 2015. Noruega e Suíça lideram o ranking dos 189 países no levantamento deste ano, com 0,953 e  0,944, respectivamente. Na lanterna está o Níger, com índice de 0,354.
O coordenador da área de pessoas prosperidade do PNUD, Cristiano Prado, reconheceu que, pela pesquisa, a desigualdade entre os homens e mulheres continua elevada no Brasil, em particular, na questão da renda. “AS mulheres possuem expectativa de vida e mais anos de escolaridade do que os homens, mas continuam com renda menor”, lamentou o especialista.
A renda média per capita da mulher brasileira ficou em US$ 10.073 ao ano, 42,6% abaixo da registrada pelo homem, de R$ 17.566 anuais. Para ele, essa é uma oportunidade para o próximo governante atacar para melhorar a produtividade na economia. “Se o país conseguir diminuir a disparidade da renda entre homens e mulheres, certamente o IDH avançaria junto com o das mulheres. Portanto, promover a redução da diferença salarial entre homens e mulheres é um fator que vai ajudar a desenvolver o IDH da nação em termos de produtividade também porque as mulheres têm mais estudo e condições de colaborar com a economia”, explicou.
Beltrão, da FGV, lamentou o fato de a desigualdade no país continuar elevada, principalmente, entre homens e mulheres. “Uma pena que o aumento de escolaridade feminina não se refletiu na melhora da renda”, afirmou. Contudo, ele faz um alerta sobre essa questão da produtividade, porque, a maioria das mulheres acabam se formando em áreas que são menos valorizadas socialmente e economicamente. “Tem muitas mulheres formadas em enfermagem e pedagogia, que pagam menos e não estão relacionadas à produção e isso pode explicar uma parte do hiato da renda”, completou. Na avaliação dele, o próximo governo precisa primeiro fazer as reformas econômicas necessárias para equilibrar as contas públicas e assim ajudar a economia voltar a crescer. “O governo precisará ter espaço no Orçamento para criar políticas sociais para melhorar o quadro atual do IDH, que continua nada animador”, destacou.
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