Butão busca felicidade na terceira eleição de sua história

Butão celebrou eleições apenas em duas ocasiões, após a monarquia ceder o poder absoluto em 2008(foto: Roberto Schmidt/AFP)Butão celebrou eleições apenas em duas ocasiões, após a monarquia ceder o poder absoluto em 2008 (foto: Roberto Schmidt/AFP)
Os eleitores no Butão, “terra do Dragão do Trono”, iam neste sábado (15/9) às urnas no primeiro turno das eleições legislativas, as terceiras desde o advento da democracia neste pequeno reino situado na cordilheira do Himalaia, entre Índia e China.
Os dois partidos mais votados se enfrentarão em um segundo turno em 18 de outubro, com Thsering Tobgay, de 52 anos e formado em Harvard, com a esperança de um segundo mandato consecutivo como primeiro-ministro. Mas o Partido Democrático Popular (PDP) enfrenta neste duro desafio o Partido Paz e Prosperidade de Butão (DPT), vencedor das primeiras eleições no Butão, em 2008, e outras duas formações.
A democracia só chegou a este país de 800.000 habitantes em 2008, quando a monarquia cedeu o poder absoluto. O país tentou se proteger das desvantagens da modernização, com a introdução do Índice Nacional de Felicidade Bruta, alcançando uma pegada de carbono negativa e limitando a visita dos turistas.
As pesquisas de opinião são proibidas e os analistas são poucos, mas um observador disse à AFP que o PDP tinha uma vantagem sobre a gestão da economia, com forte crescimento e baixo desemprego. No entanto, a corrupção, a pobreza rural, o desemprego juvenil e a predominância de gangues criminosas continuam sendo um desafio.
“Acho que as questões centrais em 2018 são as mesmas de 2013 e 2008 – economia, desenvolvimento rural, infraestruturas e, até certo ponto, turismo”, disse à AFP Tenzing Lamsang, editor do jornal The Bhutanese.
O Butão depende de sua vizinha Índia para ajudas, investimentos em infraestrutura, importações e como mercado de exportação, especialmente para a eletricidade que gera com energia hidrelétrica.
Durante a última campanha eleitoral, em 2013, a Índia retirou a ajuda para as importações de querosene e gás de cozinha, o que foi visto como uma tentativa de garantir uma mudança de governo.
A Índia está descontente com a crescente influência da China no Butão. No ano passado, tropas chinesas e indianas entraram em confronto no planalto de Doklam, uma área elevada no Himalaia, reivindicada tanto pela China quanto pelo Butão.
As tropas chinesas começaram a construir uma estrada no planalto e a Índia, embora não reivindique o território, enviou tropas para bloquear o projeto.
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