Em encontro com Kim, Trump exibiu um clipe digno de Hollywood

(foto: Saul Loeb/AFP)(foto: Saul Loeb/AFP)

Cingapura, Cingapura – “Dois homens, dois líderes, um destino”, afirma o trailer. Pode parecer, mas não se trata da última superprodução hollywoodiana, e sim do vídeo mostrado por Donald Trump a Kim Jong-un em seu iPad para convencê-lo a se decidir por um “final feliz”.
“É um momento especial da História, onde um homem vê diante de si uma chance que talvez nunca mais se repita”, prossegue a habitual narração em “off” presente nos filmes americanos de grandes orçamentos.
O clipe de quatro minutos exibido por Trump ao líder norte-coreano, nessa terça-feira (12/6), durante a cúpula bilateral em Cingapura, e depois aos jornalistas, alterna fotos em preto e branco da Zona Desmilitarizada entre as duas Coreias e imagens de prosperidade: trem de grande velocidade, rede elétrica em expansão, entre outros.
Linhas ferroviárias aparecem, um cavalo a galope: a mensagem subliminar do possível desenvolvimento futuro, resultante de um eventual acordo, aparece em todas as formas possíveis. “Acho que ele (Kim) adorou”, disse o presidente Trump à imprensa.
A mensagem é clara: “uma das coisas que esse vídeo nos informa é o tipo de argumento usado pelo governo Trump com os norte-coreanos: ‘fechem este acordo, isso será bom para sua imagem'”, analisa James Poniewozik, crítico de televisão do jornal “The New York Times”.
O jornal decidiu fazer uma paródia do filme: “Não, isso realmente aconteceu. Trump fez um falso trailer para tratar de uma verdadeira ameaça nuclear”, diz a voz em “off”.
O crítico de cinema do jornal britânico “The Guardian”, Peter Bradshaw, viu “um trailer bizarro”, “para um filme que Trump se propõe a escrever, produzir e rodar”.
O Conselho de Segurança Nacional confirmou para a agência de notícias Bloomberg ter criado a peça publicitária especialmente “para ajudar o presidente a mostrar os benefícios de uma desnuclearização completa”.
“O que ele escolherá? Dar prova de visão e de carisma… Ou não?”, questiona a voz em “off”.
O “New York Times” analisou a ideia como uma tentativa de falar com Kim Jong-un da maneira como Trump gostaria de ser informado.
“Donald Trump tem uma memória, vamos dizer, visual. Ele prefere ter suas anotações de briefings na forma de imagens, vídeos, gráficos”, ironiza o jornal.
O presidente americano tenta, em última análise, levar ao extremo o recurso de símbolos que foram responsáveis pelo sucesso de sua carreira na televisão, acrescenta. Aqui, a mensagem a Kim seria: “você pode ser a segunda estrela desse show, ao qual o mundo inteiro está assistindo”.
O filme começa com imagens do Coliseu de Roma, das Pirâmides do Egito, enfim, para mostrar que, dos mais de sete bilhões de habitantes na Terra, “apenas alguns tomarão decisões, ou ações, que farão sua pátria renascer e mudar o curso da historia”, narra o “off”.
Um editor audacioso reverteu o lançamento de quatro mísseis norte-coreanos em março de 2016. E, como que por mágica, uma imagem de satélite de uma Coreia do Norte mergulhada no breu se ilumina em milhares de pontos de luz de uma rede elétrica finalmente desenvolvida, em um país de infraestruturas energéticas notoriamente deficientes.
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