Geneticista Warnick Estevam Kerr, 96 anos, morre em São Paulo

(foto: UFU/Divulgação)(foto: UFU/Divulgação)

O geneticista e professor aposentado Warwick Estevam Kerr, 96 anos, morreu neste sábado (15/09), em São Paulo, vitima de uma parada cardíaca, por volta das 9h. Ele estava internado em um hospital em Ribeirão Preto, onde ele morava com a família e será velado. A cerimônia de cremação ocorrerá na manhã de domingo, de acordo com comunicado da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), instituição em que ele se aposentou em 1992, mas ministrou aulas, orientou alunos e realizou pesquisas até 2012.

Entomologista, engenheiro agrônomo e geneticista reconhecido internacionalmente, Kerr foi responsável pela descoberta da espécie de abelha “africanizada”, que não possui ferrão e é grande produtora de mel. Lecionou na UFU em dois momentos de 1988 a 1999 e de 2003 a 2010 e também foi o responsável para implantação do curso de pós-graduação do Instituto de Genética e Bioquímica na instituição.  Foi o primeiro brasileiro a pertencer à Academia de Ciências dos Estados Unidos. Ele era casado com dona Lygia, que faleceu em 2017. Deixa seis filhos. Em abril de 2017, o professor recebeu o título de “Professor Honoris Causa” da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
Além da UFU e da UFMA, o cientista atuou em diversas outras instituições ao longo de mais de 60 anos de carreira: Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp), Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa) e Universidade Estadual do Maranhão (Uema).
Uma das amigas de Kerr, a geneticista Gislene Carvalho Zilse, pesquisadora do Inpa, lamentou a morte do professor. “Ele foi meu orientador da graduação até o doutorado e era uma pessoa ícone para a pesquisa científica no país além de alavancar a área de genética de abelhas, de apicultura  e de frutas e hortaliças”, resumiu a primeira aluna de pós-graduação a se formar no instituto criado por ele na UFU.  Emocionada, ela contou que Kerr era apaixonado pelo trabalho e era de uma simplicidade ímpar como pessoa. “Quem pode conviver com ele teve o prazer de ter uma pessoa diferenciada, que não destratava ninguém e nem se considerava superior. Ele dizia sempre que tinha que ajudar as pessoas com o trabalho e a inteligência que ele tinha”, afirmou ela, que foi para o Inpa a convite do orientador, que foi diretor do instituto entre 1975 e 1979 e entre 1999 e 2001.
De acordo com Gislene, uma das principais frases do cientista resume o seu caráter e o compromisso que ele tinha em compartilhar o conhecimento: “Se você quer ser feliz, seja um cientista como eu, porque eu recebo dinheiro público que é o meu salário para fazer aquilo que gosto e, portanto, minha obrigação é ajudar quem paga o meu salário, que é o povo”.
Em nota publicada na página na UFU, o reitor da instituição, Valder Steffen Júnior,  afirmou que o Dr. Kerr era a maior referência científica da universidade e lembrou que ele formou diversas gerações de pesquisadores de tal forma que tem grande reconhecimento da comunidade científica nacional e internacional. “Dr. Kerr, além disso, sempre foi um ser humano muito afável. Todos aqueles que conviviam com ele se sentiam acolhidos. Sempre foi muito espirituoso, com uma palavra interessante, uma palavra nova, uma palavra de  incentivo, de encorajamento às pessoas. Ele tinha ideias muito claras sobre a importância do sistema federal de ensino superior, da universidade  pública, da universidade democrática”, destacou o reitor, acrescentando que o cientista deixa um legado muito significativo. “Em nome da UFU, desejamos manifestar nossa solidariedade à família, desejamos que Deus possa confortar a todos e deixar também patente nosso reconhecimento, a nossa apreciação pela enorme contribuição do Dr. Kerr durante os anos em que ele serviu como professor aqui na universidade”, completou.
Geneticista Warnick Estevam Kerr, 96 anos, morre em São Paulo
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