Justiça do RJ pede bloqueio de site com posts racistas; link continua ativo

Reprodução/Internet Agressão na internet: autor de site segue publicando mensagens e desafia autoridades

 

A Justiça do Rio de Janeiro acatou ao pedido da Polícia Civil de retirar do ar o site “Rio de Nojeira”, responsável por propagar mensagens de ódio contra alunos e professores, negros, gordos e lgbts da UniCarioca, instituição do estado. No entanto, até a última atualização desta reportagem, a página ainda estava ativa na internet, com acesso a todas as postagens, inclusive as mais antigas, desde 21 de dezembro do ano passado. 

 

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Segundo informações publicadas no site G1, a juíza Gisele Guida de Faria, da 11ª Vara Criminal, afirmou que o site teria diversas postagens com o mesmo tipo de natureza racista e preconceituosa, e determinou o bloqueio do link para qualquer parte do Brasil, em qualquer servidor.

 

Após a divulgação dessas informações, o autor do blog, assinado como “Ric Wagner”, publicou um  texto nesta quinta-feira (25/1) ameaçando a magistrada de morte. Ele escreveu que pensa em criar um crowdfunding e juntar R$ 100 mil para “pagar um Certified Hitman e dar um fim” na juíza. 

 

Reprodução/Internet

 

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“Além de não ter como bloquear meu site, eu ainda vou investigar toda a vida desta vadia e da família dela e publicar todos os podres aqui em primeira mão. Já que a polícia não vai conseguir me achar e é impossível tirar o site do ar, nada mais restou do que a censura. Uma pena que não vai adiantar nada… Não se preocupem, o site vai ficar online pelos próximos 80 anos!”, escreveu. 

 

Contra as autoridades

 

As vítimas, que majoritariamente são alunos e professores da UniCarioca, denunciaram o blog à Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) no último 8 de janeiro e aguardavam o encaminhamento do caso. O autor da página chegou a postar um texto desafiando as autoridades ao dizer que já havia pago 10 anos de servidor para o site a agendado mais de 50 artigos para serem postados automaticamente. “Mesmo que eu morra,  o site vai continuar mandando a real. Esqueçam, negros cotistas, vadias feministas etc. Vocês perderam dessa vez. Eu trabalho com computação há mais de 15 anos. Vai ter liberdade de expressão sim” [sic].

 

O blog é alimentado quase diariamente, sempre com postagens ofensivas. Em um post, o suspeito oferece a recompensa de R$ 15 mil a quem matar uma travesti. Em outro, ele afirma que quer passar em um concurso público para o Instituto de Medicina Legal (IML) do estado do Rio, com a única e exclusiva intenção de praticar sexo com os cadáveres de jovens que chegam ao local. 

 

Ataques racistas

 

Uma das vítimas do suspeito, a estudante de Ciência da Computação Jéssica Castro disse ao Correio que descobriu que havia tido a própria foto publicada no blog quando foi alertada por outra menina, que também estava na postagem. “Não conhecia. Só soube da existência quando me avisaram. Na hora não sabia o que fazer, nunca havia passado por isso, além de me atacar de forma racista ele me aponta como algo que eu não sou”, lamenta. 

 

Em nota, a Unicarioca afirma que lamenta profundamente o ato de preconceito e repudia qualquer ação discriminatória contra a instituição, os alunos, os professores e os colaboradores. “As autoridades já estão cuidando do caso, no âmbito do inquérito instaurado na Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), onde foi apresentada notícia-crime no dia 8 de janeiro. A UniCarioca vem prestando solidariedade às vítimas e acompanhará até a conclusão do inquérito na Polícia”, escreveu.

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