Maduro dá início à sua campanha pela reeleição

AFP / FEDERICO PARRA

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, começou a campanha para tentar se reeleger nas eleições que serão celebradas antes de 30 de abril, com amplas possibilidades de ganhar apesar do país enfrentar uma de suas piores crise.
Somada ao controle institucional exercido pelo regime, a decisão estratégica de adiantar as eleições voltou a colocar o sucessor de Hugo Chávez em posição favorável diante de uma oposição dividida e fragilizada.
Impopular em um contexto de escassez de alimentos e hiperinflação, Maduro volta a recuperar a iniciativa no cenário eleitoral apesar do crescente isolamento internacional de que padece a Venezuela – a exceção notória do apoio que continua recebendo de Rússia e China – após as sanções impostas pela União Europeia.
A televisão governamental difundiu nesta quarta-feira (24) vídeos que exaltam sua figura, enquanto se espera que o poder eleitoral defina a data exata das eleições. Maduro pediu que seja logo: “Se estivesse nas minhas mãos, as realizaria neste domingo”.
“A direita observa no horizonte o panorama da derrota”, disse o ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez.
Maduro se declarou preparado para tentar a reeleição, depois que a Assembleia Constituinte, que governa com poderes absolutos, adiantou na terça-feira a votação, que tradicionalmente acontece em dezembro.
O presidente socialista, de 55 anos, enfrenta uma impopularidade de aproximadamente 70%, segundo a agência de pesquisas Delphos, pois parte da população o associa à hiperinflação e à escassez de alimentos e medicamentos.
Contudo, os especialistas enxergam Maduro como um candidato sólido. Em 4 de fevereiro ele formalizará sua candidatura. 
Os Estados Unidos criticaram a convocação de eleições antecipadas na Venezuela e por meio de uma declaração do Departamento de Estado declarou seu apoio ao Grupo de Lima, que já havia condenado a antecipação dos comícios.

Clientelismo

Analistas e opositores advertiram que o governo adiantaria a data para aproveitar as divisões da opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD).
“A metade dos opositores pensam que Maduro vai sair por uma intervenção internacional (…). Estão buscando um herói”, disse Seijas. 
“Colocar um candidato único daria à oposição, em teoria, uma oportunidade muito melhor de derrotar Maduro. Mas o governo limitará severamente que candidato pode competir”, advertiu Eurasia Group.
A MUD não tem um dirigente que entusiasme. Seus principais líderes, Henrique Capriles e Leopoldo López -em prisão domiciliar-, estão desabilitados. 
Após a antecipação das eleições, o veterano deputado Henry Ramos Allup disse que a oposição tem “capacidade de eleger nas primárias um candidato em quatro semanas”.
Nesta quarta-feira, o ex-governador de Lara (oeste), o opositor Henri Falcón, anunciou seu desejo de concorrer.

Regras eleitorais

As condições eleitorais e a data da votação eram os pontos principais das negociações entre governo e oposição que começaram no dia 1 de dezembro na República Dominicana.
Maduro disse que a rodada seguinte seria em 28 e 29 de janeiro, mas a oposição não confirmou se participará.
“Com as mesmas condições eleitorais, rachas opositores, convocação à abstenção, sem opção alternativa (…), o resultado poderia ser o mesmo das eleições regionais”, advertiu à AFP Luis Vicente León.
Segundo ele, se a negociação não conseguir conter a antecipação das eleições, “a oposição vai participar fraturada entre os que apresentarão candidato (unitário ou não) e os que pedirão a abstenção”.
Para Seijas, “Maduro é um dos piores candidatos”, pela crise, o chavismo pode mobilizar 30% do padrão eleitoral, enquanto a oposição teria 40% de apoio. Os outros 20% são abstencionistas e 10% emigrantes. 

Controle institucional

Segundo os analistas, Maduro se garante com o controle institucional e com o clientelismo. 
Sua influência se estende a todos os poderes salvo o Parlamento, de maioria opositora, mas declarou em “desacato” pela corte suprema. Os militares o apoiam.
Outro de seus pilares de sustentação é a Assembleia Constituinte, que a MUD não reconhece, assim como parte da comunidade internacional, que ordenou a essa coalizão e seus principais partidos a reinscrição no poder eleitoral depois de terem se afastado das eleições municipais.
Como paliativo para a escassez de alimentos, Maduro lançou em 2016 um programa de venda de comida subsidiada, que segundo o governo beneficia seis milhões de famílias. 
O governo diz ter entregue o “carnê da pátria”, cartão eletrônico para acessar programas sociais, a 16 milhões de pessoas. 
A MUD denuncia que ambos são mecanismos de “clientelismo” e controle social.
Para Seijas, as circunstâncias levam a um cenário em que o chavismo tem chance “sem sombra de dúvida, de ganhar a eleição”.
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