No volante de um caminhão, Putin inaugura ponte Crimeia-Rússia

(foto: Alexander Nemenov/ POOL / AFP)(foto: Alexander Nemenov/ POOL / AFP)

No volante de um caminhão laranja, o presidente russo, Vladimir Putin, inaugurou nesta terça-feira (15/5) uma ponte que liga a Crimeia à Rússia, uma obra muito simbólica que tem como objetivo reduzir o isolamento da península anexada por Moscou em 2014.

Sob um sol radiante, Putin se instalou ao volante do Kamaz e começou a avançar. À frente de uma coluna de cerca de dez veículos, ele percorreu em 16 minutos os 19 quilômetros da Ponte de Crimeia, que liga a península de Kertch, na Crimeia, à península de Taman, no sul da Rússia.
Do outro lado, na Crimeia, o presidente foi recebido por uma pequena multidão, que o aplaudia calorosamente.
“Em vários momentos da história, mesmo sob o czar, as pessoas sonhavam com a construção dessa ponte. Elas tentaram de novo nos anos 1930, 1940, 1950 e, enfim, graças a seu trabalho e ao seu talento, esse projeto, esse milagre aconteceu!”, disse ele, acrescentando que, para a Rússia, trata-se de um “dia excepcional, festivo, histórico”.
A televisão russa, que transmitiu ao vivo as imagens da travessia do caminhão, saudou os “heróis” que construíram a ponte.
Lançado em fevereiro de 2016, essa obra foi encomendada à empresa do bilionário Arkadi Rotenberg, parceiro de judô do presidente Vladimir Putin.
Segundo um decreto publicado no site do governo, a companhia Stroïgazmontaj deveria entregar a ponte até dezembro de 2018, ao custo de 228,3 bilhões de rublos (2,9 bilhões de euros na época).
Durante uma visita em março, alguns dias antes de sua reeleição à Presidência, Putin exigiu que a ponte fosse entregue já em maio “para que as pessoas pudessem aproveitar a temporada de verão”.
A Crimeia é um destino de férias popular entre os russos. Os turistas do país vizinho são uma das principais fontes de renda para essa península apreciada por suas praias e por suas montanhas, às margens do mar Negro.
Carros e ônibus devem começar a circular a partir de quarta-feira, informou o Kremlin. Os trens são esperados para final de 2019, atravessando o estreito de Kertch, um braço de mar entre o mar de Azov e o mar Negro.
A ponte, que passa pela ilha de Tuzla, tem uma altura de 35 metros no nível de seu arco central. A velocidade máxima autorizada para carros será de até 120 km/h, sempre que as condições climáticas permitirem, segundo a agência de notícias russa RIA Novosti.

Reduzir o isolamento

Em entrevista à AFP, o primeiro-ministro ucraniano, Volodymyr Groïsman, acusou a Rússia de “pisotear o Direito Internacional” com essa ponte.
“A Rússia vai pagar muito caro”, garantiu.
Um porta-voz da União Europeia também condenou a “nova violação da soberania” da Ucrânia por parte da Rússia, considerando que sua construção foi feita “sem o consentimento” de Kiev.
“A construção da ponte busca uma maior integração forçada da península anexada ilegalmente à Rússia e seu isolamento da Ucrânia, da qual continua fazendo parte”, ressaltou o porta-voz, reiterando a posição da União Europeia (UE) de não reconhecer a Crimeia como território russo.
Várias vezes a Ucrânia denunciou a construção dessa ponte como uma ataque à sua integridade territorial.
Para a Rússia, a Ponte da Crimeia deve permitir reduzir o isolamento tanto geográfico quanto econômico da Crimeia, anexada da Ucrânia em março de 2014, após uma intervenção das forças especiais russas e de um referendo denunciado como “ilegal” por Kiev e por países ocidentais.
Em razão do bloqueio imposto por Kiev e das sanções ocidentais que se seguiram a essa anexação, a maioria dos produtos alimentícios chega de barca da Rússia, um modo de entrega que depende de condições meteorológicas favoráveis.
A Crimeia também depende da via aérea para se abastecer, o que acaba acarretando uma alta significativa nos produtos básicos.
“Muitos não acreditavam na possibilidade de concretização desses planos. (Vladimir) Putin provou, mais uma vez, que os planos mais ambiciosos podem ser realizados sob sua direção”, declarou nesta terça o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, em entrevista coletiva.
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