Operação da PF investiga vice-presidente da Guiné Equatorial

(foto: Abdelhak Senna/AFP)(foto: Abdelhak Senna/AFP)

A operação Salvo Conduto deflagrada hoje (10/10) pela Polícia Federal, investiga o vice-presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Mang, por suspeita de lavagem de dinheiro. Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão expedidos pela 6ª Vara Criminal da Justiça Federal em São Paulo nas cidades de São Paulo, Hortolândia, Jundiaí e Distrito Federal. Os endereços são ligados a Teodoro e o principal alvo é uma cobertura duplex de mais de 1.000 metros quadrados, localizada na Rua Haddock Lobo, no bairro dos Jardins, área nobre de São Paulo, avaliada em 70 milhões.
Os mandados são relacionados à apreensão de US$ 16 milhões em dinheiro e em relógios de luxo com a comitiva do vice-presidente da Guiné Equatorial Teodoro Nguema Obiang, que aconteceu no último dia 14.
A suspeita da PF em relação aos bens apreendidos é a de que tenham relação com um esquema de lavagem de dinheiro, já que Teodorin, como é conhecido, não declarou os bens ao entrar no país. Na data, a comitiva alegou inviolabilidade diplomática e se recusou a abrir as malas onde estavam o dinheiro e os relógios não declarados. Segundo a embaixada do país, o líder estava no Brasil para um tratamento médico e o dinheiro seria destinado ao pagamento de despesas pessoais.
Segundo a Polícia Federal, cerca de 35 policiais federais atuaram na operação, que investiga fatos referentes a dois inquéritos policiais, reunidos em setembro deste ano, por tratarem de ocorridos envolvendo o mesmo investigado. 
O vice-presidente havia sido condenado na França por adquirir propriedades com dinheiro público desviado do país africano e investigado nos EUA, dentre outros crimes por lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos.
Em nota, a Polícia Federal afirma que o primeiro inquérito policial foi instaurado em março de 2018, depois do envio de informações do Ministério Público Federal, no mês anterior, para que a PF iniciasse investigação para apurar o crime de lavagem de dinheiro em razão dos indícios de ocultação de propriedade relacionada à compra, em 2008, do apartamento duplex localizado no bairro dos Jardins, em São Paulo.
O imóvel foi adquirido, na época, por R$ 15 milhões. As investigações apontam que o imóvel, adquirido por uma empresa com capital social de R$ 10 mil, pertenceria ao investigado.
A juíza Michelle Camini Mickelberg, da 6.ª Vara Criminal de São Paulo, relatou que ‘nos supostos crimes investigados, Teodoro não estaria no exercício da sua capacidade oficial, mas praticando atos particulares, voltados, em tese, à lavagem de ativos em território nacional’.
A PF solicitou à Justiça Federal o sequestro do imóvel, dos bens e valores apreendidos no Aeroporto de Viracopos e de sete veículos de luxo – um deles avaliado em R$ 2 milhões.
A pasta prossegue com as investigações e pedido de cooperação jurídica internacional, para esclarecer a participação dos envolvidos. A pena para o crime de lavagem de dinheiro varia de 3 a 10 anos de prisão. O Correio tentou contato com a Embaixada da Guiné Equatorial mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.
Operação da PF investiga vice-presidente da Guiné Equatorial
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