Puigdemont pede que Madri permita sua posse com normalidade

AFP / Jonathan NACKSTRAND

O líder separatista Carles Puigdemont pediu nesta quarta-feira (24/1), de Bruxelas, que o governo espanhol permita a sua posse como presidente catalão com “normalidade”, após um encontro com o chefe do Parlamento regional, sem esclarecer se voltará à Espanha para o debate.
“Se o Estado espanhol entendesse que o melhor para todos é que o debate se celebre com normalidade, acho que daria um passo de gigante”, disse em coletiva de imprensa Puigdemont, instando Madri a retirar “todos os elementos que impedem a normal celebração do pleno”.
O presidente do Parlamento catalão, o também separatista Roger Torrent, conclui os detalhes da sessão de posse do presidente regional que deve ser realizada antes de 31 de janeiro e na qual Puigdemont, acusado pela justiça espanhola de rebelião, é o único candidato.
A incerteza paira sobre se o presidente catalão, suspenso pelo governo espanhol ao final de outubro, após uma declaração de independência frustrada, se apresentará pessoalmente ao debate de posse na Câmara, situada em Barcelona.
Puigdemont, que apontou para “muitas possibilidades” diferentes, informou que a “posse presencial” é a “ideal”. “Falamos da posse e ele não descartou a possibilidade de que esteja presente”, acrescentou Torrent.
– Posse à distância? –
Mas se voltar para a Espanha, corre o risco de ser detido e enviado para a prisão, assim como os outros quatro deputados eleitos instalados na Bélgica e igualmente acusados de rebelião, sedição e malversação por seu papel na declaração de independência.
Diante de um eventual retorno, Madri anunciou que não poupará meios para impedir sua entrada no Parlamento, inclusive se o fizer “no porta-malas de um carro”, nas palavras do ministro espanhol do Interior, Juan Ignacio Zoido.
A outra possibilidade em que trabalham o partido Juntos pela Catalunha (centro-direita), de Puigdemont, é uma posse à distância, algo que os serviços jurídicos da Câmara regional consideram ilegal e um movimento que Madri já anunciou que impugnaria.
Em declarações à rádio Onda Cero, o presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, informou que recorreriam concretamente da “decisão da mesa que diga que o senhor Puigdemont” pode “comparecer através de uma televisão” perante o plenário.
A atuação de Madri, que ativou em outubro o Artigo 155 da Constituição para assumir o controle da região, recebeu novamente nesta quarta-feira o apoio do rei Felipe VI, que de Davos advertiu que “os desacordos políticos” devem ser resolvidos segundo o “marco legal” espanhol.

‘A partir do primeiro minuto’

Em visita a Bruxelas, Torrent também se reuniu com os outros quatro deputados eleitos presentes da Bélgica, que fazem frente às mesmas acusações que o líder separatista na Espanha, mas cujos votos poderiam ser fundamentais para sua reeleição.
As forças separatistas contam com 70 deputados no Parlamento catalão, dois acima da maioria absoluta, embora sete deles não estejam em condição de exercer: além dos cinco na Bélgica, outros dois estão presos em Madri.
O juiz permitiu aos presos delegar seu voto na primeira sessão de Constituição da Câmara, embora a incerteza paire sobre a possibilidade de outorgar um voto telemático a cinco membros do governo catalão suspenso na Bélgica.
Neste contexto, as declarações de Torrent, do partido separatista ERC (esquerda), sobre que seu objetivo é trabalhar para conseguir “um governo efetivo desde o primeiro minuto” se interpretam, como diz o jornal catalão La Vanguardia, como uma pressão a Puigdemont caso não possa exercer.
O encontro entre Puigdemont e Torrent, mais os outros quatro deputados, foi celebrado na sede do partido político europeu Aliança Livre Europeia, depois que o governo espanhol impediu sua celebração na sede do governo catalão na capital da UE.
“Foram dadas instruções à delegada da Generalitat de Catalunha, em Bruxelas, para que permita que se celebre a reunião nos locais da delegação da Catalunha em Bruxelas”, indicou uma fonte diplomática em Madri. O governo tem sob sua tutela a instalação desde o fim de outubro.
Tanto Puigdemont quanto Torrent criticaram a decisão de Madri e o presidente da Câmara catalã anunciou, inclusive, ter pedido aos serviços jurídicos da Câmara regional que “estudem as consequências legais desta decisão arbitrária do governo do Estado espanhol”.
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