Sírios pedem socorro por causa de bombardeios turcos

AFP / George OURFALIAN “Queremos que o mundo inteiro ouça nosso grito: ‘Socorro!”, diz o sírio Jumaa Hassan Hassun. A casa de Hassan foi bombardeada pelo exército turco

Síria – Após ter se escondido por três dias em um porão para fugir dos bombardeios turcos no noroeste da Síria, Merhi Hassan saiu, salvou seu pai dos escombros e fugiu com toda a sua família para a cidade de Afrin.

Merhi Hassan e sua família recuperaram alguns de seus bens pessoais entre as ruínas da casa e depois entraram em uma velha caminhonete para fugir da localidade de Khandairis, situada perto da fronteira com a Turquia.
Destino: Afrin, 20 quilômetros na direção nordeste, capital do cantão de mesmo nome e mais distante da fronteira turca e dos bombardeios do Exército de Ancara. “Por causa dos bombardeios nós não dormimos”, conta Hassan ao chegar, com lágrimas nos olhos.
Depois de três dias no porão, este homem de 40 anos optou pelo risco de sair e convencer seu pai de que era necessário fugir. “Não queria ir embora”, relata. Mas depois de um novo bombardeio, resgatou-o entre os escombros e vidros quebrados pelas deflagrações.

‘Estaria morto’ 

Para dar mais complexidade à guerra que assola a Síria desde 2011, a Turquia e os rebeldes sírios afins lançaram em 20 de janeiro uma ofensiva contra a milícia curda das YPG, considerada “terrorista” por Ancara, mas aliada dos Estados Unidos na luta anti-extremista.

AFP / Ibrahim YASOUF

As YPG controlam o cantão de Afrin, fronteiriço com a Turquia. Ancara vê com hostilidade esta autonomia de fato deste curdos vinculados ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que trava um violento confronto na Turquia desde 1984. Há uma semana as localidades do cantão são bombardeadas e muitas pessoas fugiram para se abrigar na cidade de Afrin.
“Os foguetes caíram em todos os bairros, em geradores e padarias. Não resta nada”, conta Merhi Hassan. “Nossa casa está destruída, a dos nossos vizinhos está destruída. Se não tivesse fugido, estaria morto”, diz. Segundo a ONU, mais de 300 mil pessoas vivem no cantão de Afrin, das quais 120 mil já foram deslocadas ao menos uma vez devido à guerra no país.

Fugir descalços

Em um edifício em construção, mulheres e crianças estão sentados em colchões colocados no chão de terra. Incessantemente chegam novas famílias com o que conseguiram levar: utensílios de cozinha, alimentos, bolsas com roupas.
Zarifa Hussein e seus filhos sequer tiveram tempo para pegar algo: “fugimos descalços de nossa casa e tivemos que passar a noite em um abrigo” para nos protegermos das bombas, relata. Grávida, foi atingida por um bloco de concreto quando fugia de sua casa, sob os bombardeios. “Quisemos recuperar nossas coisas, mas a casa estava destruída”.
No maior hospital da cidade de Afrin, Arze Sido observa tensamente seu filho, imóvel e com uma perfusão no braço. Arze, o filho ferido, suas duas filhas e sua sogra fugiram da cidade fronteiriça de Midan Akbas no início da semana para serem acolhidos por familiares em Afrin.
“Meu filho queria ir buscar pão, mas lhe disse: ‘fique aqui, há bombardeios'”, conta a mulher. “No momento em que ia sair, o Exército turco nos bombardeou e tivemos que tirá-lo dos escombros e levá-lo ao hospital, onde está há três dias”.
Para Jumaa Hassan Hassun, as grandes potências deveriam intervir para deter o Exército turco. “Fugi com minha esposa e meus filhos, sete meninas e dois meninos”, conta este homem de 56 anos, originários de Khandairis. “Queremos que o mundo inteiro ouça nosso grito: ‘Socorro! Nos salvem disso tudo!'”.
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