Trump fará, perante o Congresso, apelo enfático à unidade dos EUA

AFP / Mandel NGAN

O presidente americano, Donald Trump, fará nesta terça-feira (30/1) um apelo enfático à unidade nacional, em seu discurso sobre o “estado da União”, no qual defenderá os feitos de seu primeiro ano no governo e definirá as prioridades para 2018.
“Quero falar-lhes do tipo de futuro que teremos e que tipo de nação seremos. Todos nós, juntos, como uma equipe, uma pessoa, uma família americana”, dirá o presidente em seu discurso às duas Câmaras do Congresso, segundo trechos antecipados à imprensa pela Casa Branca.
O presidente acrescentará em seu discurso que, tendo em mente este objetivo desde que chegou à Casa Branca, tem “buscado restabelecer os laços de confiança entre nossos cidadãos e governo”.
Trump dirá aos americanos que seu governo está construindo um país “seguro, forte e orgulhoso”.
Em sua mensagem, o presidente se propõe a afirmar que este “é o novo momento americano. Nunca antes houve melhor momento para começar a viver o sonho americano”.
Além disso, Trump dirá ainda que o país “finalmente virou a página de décadas de acordos comerciais injustos, que sacrificaram nossa prosperidade e enviaram ao exterior nossas empresas, nossos postos de trabalho e a riqueza do país”.
No tema da política externa, Trump dirá, ainda segundo os trechos de sua fala divulgados por sua administração, que há “muito a fazer” para derrotar o grupo extremista Estado Islâmico (EI).
“A coalizão para derrotar o EI libertou quase 100% do território que uma vez tiveram estes assassinos no Iraque e na Síria. Mas há muito mais trabalho a fazer”, dirá o presidente.
O discurso começará às 21h00 locais (00h00 de quarta, horário de Brasília) e estima-se que será acompanhado ao vivo por 40 milhões de pessoas.
O líder da bancada republicana no Senado, Mitch McConnell, minimizou a visão de um país irremediavelmente dividido. “Tivemos no passado debates violentos, até uma guerra civil. Acho que o que vemos agora é um enorme debate político”, disse.

Migração, o tema central

Mas o tema central e excludente do discurso será a proposta feita pela Casa Branca sobre uma reforma migratória, que deve ser negociada no Congresso para destravar o diálogo e permitir a aprovação do orçamento federal.
O país ainda não tem um orçamento geral para o ano fiscal em curso e, desde dezembro, o Congresso autorizou apenas planos provisórios de gastos. O último deles vence, inexoravelmente, em 8 de fevereiro.
Para votar e aprovar um orçamento federal anual, a oposição do Partido Democrata exige que se defina uma solução para os 690.000 jovens imigrantes que regularizaram sua situação, a partir de 2012, por meio do programa Daca.
Esse contingente de imigrantes se viu mergulhado em um limbo jurídico em setembro do ano passado, quando Trump anunciou que seu governo não renovaria o Daca.

Cartas na mesa

Na quinta-feira, a Casa Branca pôs as cartas na mesa, ao apresentar propostas que abrem caminho para que 1,8 milhão de imigrantes consigam a naturalização americana.
Essa porta aberta, no entanto, tem um preço elevado: o governo pede 25 bilhões de dólares para construir um muro na fronteira com o México, reforça drasticamente a vigilância fronteiriça, interrompe a imigração familiar, corta as vagas de imigrantes legais e suspende o sorteio de vistos.
Além disso, reforça os mecanismos de “remoção imediata” de imigrantes em situação irregular.
Esta proposta foi recebida com frieza de um modo geral. Os movimentos sociais condenam a inevitável divisão de famílias que se dará no país como consequência das medidas repressivas propostas.
Enquanto isso, os setores mais conservadores protestaram contra este 1,8 milhão de imigrantes que um dia foram ilegais, mas que no futuro poderiam se tornar americanos.
A importância crucial desta negociação se torna evidente na lista de convidados ao discurso de Trump: das 70 pessoas convidadas pelos legisladores a comparecer ao plenário, 23 são imigrantes beneficiados do programa DACA.

Os outros temas

Além de insistir na urgência de resolver a questão migratória, Trump deve destacar suas conquistas de 2017 – em especial a reforma do sistema tributário – e delinear os eixos fundamentais de sua ação administrativa este ano.
Espera-se que o presidente faça um apelo ao Congresso para definir um ambicioso plano de investimentos de cerca de US$ 1 trilhão para reconstruir a infraestrutura do país no período de uma década.
Também fará menções à política de comércio exterior, outro pilar fundamental na gestão do presidente.
Trump deve ainda apresentar as linhas de sua política externa, na qual se destacam assuntos de extrema sensibilidade como a escalada de tensão com a Coreia do Norte, o futuro das relações com o Irã e o passo dado por Washington para reconhecer Jerusalém como capital de Israel.
Esse discurso materializa uma seção do artigo II da Constituição americana, que estipula que o presidente deve, periodicamente, “oferecer informação ao Congresso sobre o Estado da União”.
O jovem congressista Joseph Kennedy, sobrinho neto do ex-presidente John F. Kennedy, apresentará a resposta oficial do Partido Democrata ao discurso de Trump.
Já a representante democrata de origem peruana pelo estado da Virgínia, Elizabeth Guzmán, ficará encarregada da resposta em espanhol, dirigida especificamente ao eleitorado hispânico.
Trump fará, perante o Congresso, apelo enfático à unidade dos EUA
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