Violência no Ceará provoca troca de farpas entre Planalto e governador

 Wellington Macedo/Futura Press/Folhapress Choque entre grupos ocorreu na hora do banho de sol, quando apenas um agente penitenciário trabalhava

A violência no Ceará não dá trégua. Depois da chacina que deixou 14 mortos no fim de semana na periferia de Fortaleza, ontem, um confronto entre facções rivais resultou no massacre de 10 presos e deixou oito feridos na cadeia de Itapajé (a 124km da capital). No município de Senador Pompeu (a 285km da capital), houve fuga de 10 detidos.  O conflito em Itapajé ocorreu no início do banho de sol, quando, segundo o delegado da cidade, André Firmino, havia apenas um agente penitenciário trabalhando.

Em nota, o governo cearense informou que “uma briga entre grupos rivais resultou nas mortes. Policiais do município e agentes penitenciários do Grupo de Operações Regionais realizaram a intervenção, controlando a cadeia”. A violência serviu de pano de fundo para troca de farpas políticas entre o Palácio do Planalto e o governador cearense, Camilo Santana (PT). Além da promessa do presidente Michel Temer, que estuda criar uma Força Nacional destinada, exclusivamente, como reforço da segurança pública nos estados.
Especialistas em segurança no estado disseram que as duas chacinas estariam interligadas. Na madrugada de sábado, na casa de shows Forró do Gago, o conflito teria sido por acerto de contas, resultando na morte de oito mulheres e seis homens, vítimas escolhidas aleatoriamente.

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O secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará, André Costa, disse, em entrevista, que a chacina na capital cearense foi “ação planejada e organizada”, tendo ocorrido em local que já havia sofrido batida policial. Mas causou polêmica o fato de ele ter dito, no domingo, que não havia “perda de controle”. E que também não havia “motivo para pânico”, pois a polícia estava acompanhando de forma engajada.

A afirmação do secretário gerou críticas do Conselho Penitenciário do Estado do Ceará (Copen), vinculado à Secretaria de Justiça e Cidadania, que afirmou, em nota: “mesmo reconhecendo que o aumento da violência urbana no Ceará não seja um fenômeno exclusivamente local, fica evidenciado o descontrole da situação pelos órgãos de segurança do estado”. Costa afirmou, ainda, que um dos grandes problemas do país é a falta de policiamento nas fronteiras, facilitando a entrada de drogas, por exemplo, que se tornam munição em fortalecimento das facções criminosas.

Arena Política

No domingo, o governador cearense, Camilo Santana (PT), tentou imputar a responsabilidade da chacina de Cajazeiras ao governo federal, criticando a falta de uma política nacional para o combate ao crime organizado. “Quem não tem competência que não se estabeleça”, disparou em resposta, ontem, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (PMDB-MS). “Transferir isso para o governo federal é absurdo”, continuou. O petista seguiu o exemplo do governador Marconi Perillo (PSDB), que, no início do ano, também criticou a falta de ação e recursos do governo federal, após fuga de 200 presos em Aparecida de Goiânia.
A resposta de Marun foi seguida de nota do Ministério da Justiça, que também rebateu as críticas de Santana deixando clara a irritação do governo: “O ministro Torquato Jardim reafirma que a União seguirá cumprindo o papel de oferecer apoio técnico e financeiro aos estados, como vem fazendo regularmente, para que os órgãos de segurança pública trabalhem de forma integrada e harmoniosa, ainda que os governantes não solicitem apoio por razões eminentemente políticas”.
No Ceará, outro assessor deu seguimento ao tom de críticas iniciado por Santana. Em debate ontem na rádio CBN, o chefe de gabinete do governador, Élcio Batista, afirmou: “O governo do estado não precisa do governo federal. Vamos responder em cada uma das situações”. Após os massacres, autoridades do setor de segurança pública do Ceará anunciaram a criação de força-tarefa e a separação de presos, para tentar controlar a ação das organizações criminosas.”
* Estagiária sob supervisão de Rozane Oliveira
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